Não chute minha Macumba, porque a rua também é minha: memória e resistência nos territórios de Axé.

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 7 - Sociologia da Saúde, da Morte e das Sensibilidades
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Juliane Cristine Dias de Barros Jankowski
Resumo
Este projeto de pesquisa, se encontra no campo da Sociologia decolonial e propõe a uma investigação baseada na metodologia da observação participante e localizada, articula-se à realização de entrevistas com dirigentes e participantes das comunidades de axé. Busca-se, por meio dos relatos, acessar as memórias dos membros da comunidade sobre as restrições às oferendas umbandista em espaços público. Partindo de uma perspectiva localizada, a pesquisadora se insere no campo como “pesquisadora cambono”, conceito cunhado por Luiz Antonio Antonio Simas e Luiz Rufino (2018) que define o pesquisador como aquele que se deixa afetar pelo outro e aprende na escuta e na experiência. Embora a Umbanda componha a própria identidade da pesquisadora, reconhece-se que esse campo religioso carrega um vasto universo simbólico e ritualístico ainda a ser explorado. Desta maneira, a pesquisa tem como eixo central a análise da crescente deslegitimação das oferendas religiosas em ambientes como ruas, encruzilhadas, cemitérios e praças, locais tradicionalmente reconhecidos pelas comunidades de axé como campo de forças dentro das cosmologia umbandista. Fundamentada em autores como Cairo Mohamad Ibrahim Katrib (2021), que entende a oferenda como ponte entre o humano, a natureza e o divino, a investigação busca compreender como o espaço público, enquanto território de sociabilidade e pertencimento, tem sido disciplinado por normas urbanas, sanitárias e religiosas que marginalizam as expressões de religiosidade afro-brasileira. O estudo propõe discutir os processos de racialização, higienização simbólica e disputa por legitimidade no espaço urbano, articulando sociologia da religião, epistemologias decoloniais e direitos territoriais das tradições de matriz africana.
Palavras-chave: Umbanda; oferendas; espaço público; sociologia da religião; desterritorialização; religiosidades afro-brasileiras; macumba.
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