Resumo
O presente trabalho apresenta os resultados parciais obtidos durante o desenvolvimento de uma pesquisa a nível de mestrado acadêmico que tematizou práticas pedagógicas de Sociologia Escolar em componente curriculares dos Itinerários Formativos do Novo Ensino Médio entre os anos de 2022 a 2024. A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Sociologia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O objetivo da pesquisa estava centrado na compreensão de práticas pedagógicas desenvolvidas por professoras/es de Sociologia em componentes curriculares dos Itinerários Formativos com o potencial de exercer uma resistência para construção de aprendizagens de temas, conceitos e teorias da sociologia e demais ciências sociais. A pesquisa possui relevância na medida em que se constata a redução de carga horária do componente curricular Sociologia na Rede Estadual de Educação do Rio Grande do Sul, com o intuito de implantar um novo arranjo curricular localmente denominado Ensino Médio Gaúcho. Neste cenário, faz-se pertinente flexionar o conceito de “presença intermitente” (Meucci, 2015; 2020; Oliveira, 2023) que caracteriza a presença ou ausência deste componente curricular aos esforços do Governo Federal em responsabilizar-se pelo processo de desenvolvimento da nação, pois, em decorrência das incertezas causadas pela concepção de que tornar-se-ia “estudos e práticas” (Brasil, 2017), a Sociologia não foi completamente removida dos currículos escolares. Segundo Silva e Alves (2020), é possível identificar uma “sociologização” da Base Nacional Comum Curricular e como um efeito cascata, os documentos estaduais (Referencial Curricular Gaúcho, Matriz de Referência do Ensino Médio e Cadernos das Trilhas de Aprofundamento) evidenciam uma sociologização nos objetos de conhecimento dos componentes curriculares dos Itinerários Formativos. Deste modo, buscou-se seguir e rastrear as práticas de professoras/es de Sociologia responsáveis por esses novos componentes curriculares a fim de analisar as possibilidades de desenvolver uma “ciência em ação” (Latour, 2000) no que diz respeito a perpetuação resistente de práticas pedagógicas de Sociologia Escolar. A pesquisa foi desenvolvida sob uma perspectiva qualitativa, envolvendo seis pessoas graduadas/os em Ciências Sociais ou Sociologia que atuaram como docentes de componentes curriculares dos Itinerários Formativos em cidades que compõem a 27ª Coordenadoria Regional da Rede Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. Essas pessoas entrevistadas em profundidade durante os meses de abril e maio de 2025. Os dados obtidos foram analisados e codificados no software NVivo e, para o presente trabalho, serão focalizados os dados agrupados no código “Percepções curriculares”. As narrativas das/os professoras/es evocam semelhanças aos processos de construção de “fatos científicos” para Latour (2000), na medida em que percebem uma fragmentação da Sociologia no novo currículo escolar. Por meio dos relatos das práticas das/os professoras/es, torna-se potente compreender o Novo Ensino Médio como um artefato que buscou “encaixapretar” um arranjo curricular da Educação Básica, porém, nas salas de aula das pessoas envolvidas com a pesquisa foram construídos “contra laboratórios” que resistiram e ousaram “manter viva” a Sociologia Escolar.
Referências
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