Este artigo realiza uma análise crítica das representações sobre raça e racismo em três coleções didáticas de Sociologia destinadas ao Ensino Médio – Sociologia em Movimento (Moderna), Sociologia por Toda Parte (FTD) e Sociologia do Seu Jeito (Ática). Inspirado pelo procedimento analítico desenvolvido por Everardo Rocha em Um índio didático, o trabalho investiga de que modo tais materiais produzem personagens raciais, estabilizam sentidos e delimitam formas legítimas de compreensão da desigualdade. O enquadramento teórico mobiliza ainda as contribuições de Erving Goffman acerca da apresentação do eu e de Lila Abu-Lughod sobre as políticas de representação e as narrativas de salvação. Argumenta-se que, apesar dos avanços inegáveis na incorporação de perspectivas críticas, os livros frequentemente operam por meio de redundâncias discursivas que podem fixar identidades e reiterar distâncias simbólicas entre quem aprende e quem é aprendido.
Palavras-chave: livro didático; representação; racismo; alteridade; ensino de Sociologia.
Referências
ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas realmente precisam de salvação? Estudos Feministas, 2012. Disponvel em: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2012000200006. Acessado em 20/01/2026
ÁTICA. Sociologia do seu jeito. São Paulo: Ática, 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. PNLD 2024: anos finais do ensino fundamental: áreas do conhecimento. Brasília, DF: MEC/FNDE, 2023. Disponível em: www.gov.br.... Acesso em: 16 fev. 2026.
FTD. Sociologia por toda parte. São Paulo: FTD, 2024.
GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Petrópolis: Vozes, 2003.
MODERNA. Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2024.
ROCHA, Everardo. Um índio didático. São Paulo: Brasiliense, 1984.