Uberização e formação crítica: uma experiência de ensino de Sociologia na Educação Básica

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 5 - Sociologia na Educação Básica
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Caleandra da Silva
Resumo
Este trabalho apresenta e analisa uma experiência pedagógica desenvolvida na disciplina de Sociologia com turmas do primeiro e segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública catarinense, a partir da problematização do fenômeno da uberização do trabalho no contexto das transformações contemporâneas do mundo laboral. A proposta emergiu de inquietações dos próprios estudantes diante da presença crescente de trabalhadores de aplicativos no cotidiano urbano e das narrativas que associam tecnologia, inovação e autonomia profissional.

A uberização foi abordada como categoria de análise para compreender as reconfigurações recentes das relações de trabalho, caracterizadas pela mediação algorítmica, pela flexibilização contratual e pela transferência de custos e riscos ao trabalhador. Inserido em um cenário mais amplo de expansão do trabalho informal e de fragilização de vínculos empregatícios, o fenômeno foi discutido à luz de dados oficiais produzidos por instituições como o IBGE, o DIEESE e o IPEA. A análise desses dados permitiu aos estudantes relacionar estatísticas nacionais às experiências concretas observadas em suas comunidades.

O percurso metodológico articulou pesquisa bibliográfica, sistematização de dados quantitativos, elaboração de roteiro audiovisual e construção de um circuito interativo com elementos de robótica, apresentado posteriormente em feira de ciências escolar. Durante a atividade, o público era convidado a interagir com informações sobre jornadas extensas, instabilidade de renda e índices de informalidade, sendo provocado por questões reflexivas que tensionavam a ideia de que as chamadas “cidades inteligentes” representam, necessariamente, avanços sociais amplamente distribuídos.

No âmbito do ensino de Sociologia, a experiência evidenciou o potencial da disciplina para promover a leitura crítica de processos estruturais que atravessam o cotidiano dos estudantes e de suas famílias. Ao deslocar o olhar da tecnologia como promessa neutra de progresso para a análise de suas implicações sociais e políticas, a prática favoreceu o desenvolvimento da argumentação fundamentada, da problematização e da consciência sobre direitos sociais e trabalhistas.

Como contribuição ao debate sobre Sociologia na Educação Básica, o trabalho reafirma a importância de metodologias investigativas que articulem teoria e realidade vivida, ampliando o reconhecimento da escola como espaço legítimo de produção de reflexão sociológica. Conclui-se que abordar a uberização de forma contextualizada fortalece a formação cidadã e reafirma o papel da disciplina na compreensão crítica das dinâmicas do trabalho no século XXI.
Referências
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