A inserção socioeconômica de migrantes venezuelanas no município de Curitiba/PR: desafios de integração no contexto da interiorização

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 2 - Migrações Internacionais e Fronteiras
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Luana Lofrano Spinassi
Resumo
O presente trabalho analisa a inserção socioeconômica de mulheres migrantes venezuelanas no município de Curitiba/PR, considerando os desafios de integração no contexto da interiorização promovida pela Operação Acolhida. Inserido no campo das migrações Sul–Sul, o estudo parte do entendimento de que os deslocamentos contemporâneos na América Latina são atravessados por dinâmicas estruturais que articulam crises econômicas, reconfigurações do trabalho e desigualdades historicamente constituídas. Nesse cenário, a migração venezuelana se configura como um dos principais fluxos recentes da região, exigindo análises que ultrapassem abordagens descritivas e considerem os condicionantes sociais da integração nos territórios de destino.
O problema que orienta a pesquisa consiste em compreender de que modo se dá a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho local e quais são os limites impostos à sua integração socioeconômica. Parte-se da hipótese de que a inserção não se traduz em integração plena, mas se realiza de forma desigual, marcada por vínculos laborais precários e por dificuldades de acesso a direitos. O objetivo é analisar as trajetórias de inserção laboral de mulheres migrantes venezuelanas em Curitiba/PR, identificando os principais obstáculos, estratégias de sobrevivência e impactos socioeconômicos associados a esse processo.
Metodologicamente, trata-se de um estudo de caso de natureza qualitativa, fundamentado na análise de trajetórias de mulheres migrantes residentes no município, articulando dados empíricos com aportes teóricos da sociologia das migrações e do trabalho. O referencial mobiliza a noção de migrações Sul–Sul, bem como os conceitos de habitus e capital, de Pierre Bourdieu, para compreender as estratégias dos sujeitos em contextos de restrição. Dialoga, ainda, com a literatura sobre precarização do trabalho e desigualdades de gênero, permitindo analisar a inserção laboral para além de atributos individuais.
Os resultados indicam que a inserção dessas mulheres ocorre predominantemente em ocupações caracterizadas pela informalidade, instabilidade e baixa proteção social, revelando um padrão de inserção laboral precário. Observam-se barreiras relacionadas ao reconhecimento de qualificações, ao acesso à informação e às redes de apoio, bem como a presença de discriminações no mercado de trabalho. Destaca-se, ainda, a centralidade do trabalho doméstico e de cuidado, frequentemente não remunerado, que, ao se articular à inserção precária, contribui para a sobrecarga de responsabilidades e limita as possibilidades de mobilidade ocupacional.
Conclui-se que a integração socioeconômica das mulheres migrantes venezuelanas em Curitiba/PR ocorre de forma parcial e desigual, sendo condicionada pelas dinâmicas do mercado de trabalho e por desigualdades estruturais de gênero e pela própria condição migratória. Nesse sentido, o estudo aponta que políticas de acolhimento, embora fundamentais, não são suficientes para garantir inclusão efetiva, o que aponta para a necessidade de estratégias que articulem acolhimento, acesso ao trabalho digno e proteção social.
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