Resumo
O advento da política de cotas em universidades e institutos federais, sancionado pela Lei 12.711/2012 e atualizado em 2023, a qual reserva no mínimo 50% do quadro de vagas para estudantes egressos de escolas públicas, instituiu medidas que têm contribuído para tornar o filtro social do vestibular mais justo e para desnaturalizar a ideia de que as universidades não seriam um lugar para todos. Não por acaso, os indicadores apresentados pelo Censo da Educação Superior do Inep/MEC, indicam um aumento expressivo na demografia (perfil socioeconômico, raça/cor, PcD, indígenas, quilombolas) no quadro de universitários das instituições federais, o que tem potencializado o espaço universitário com uma multietnicidade e interculturalidade. O novo quadro de universitários apresenta um grupo de estudantes que conseguiu concluir o ensino médio, um dos gargalos históricos da educação brasileira, o qual tem dificuldades para sugerir caminhos que dialoguem com os anseios das juventudes brasileiras. É a partir do cenário apresentado, que construímos o presente estudo, o qual, considerou a percepção de discentes de 58 escolas públicas localizadas em Curitiba e região metropolitana, as quais derivaram de ações realizadas pela equipe do projeto de extensão intitulado “UFPR Seu Lugar”, que promove palestras sobre as formas de ingresso nos cursos de graduação, políticas estudantis (bolsas, auxílios, estágios, participação em projetos e vida universitária), junto a estudantes de ensino médio. Do ponto de vista teórico e conceitual, considerou-se autores da Sociologia da Educação, os quais em diferentes tempos e lugares se ocuparam de distintos fenômenos escolares. No plano metodológico, fez-se uso da metodologia descritiva para melhor interpretar, analisar e apresentar os resultados alcançados. No cômputo geral, as considerações bourdieusianas foram fundamentais no processo de análise do quadro de percepção apresentado pelos estudantes, o qual indicou a predominância de uma estrutura escolar voltado ao controle e vigilância, na qual grande parte dos estudantes manifestaram desinteresse em prestar o vestibular. Em contrapartida, uma pequena parcela de terceiranista vislumbra prestar o vestibular, um grupo que declarou ter parentes e/ou amigos, egressos ou universitários na UFPR, uma rede de relação durável que funciona como um ativo, possibilitando o acesso a informações que inspiram o desejo de prestar o vestibular e ingressar na universidade.
Referências
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