Resumo
Este trabalho analisa a sub-representação feminina na política da Guiné-Bissau, com enfoque nos partidos Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e Partido da Renovação Social (PRS), articulando o debate entre sociologia política e políticas públicas. Parte-se da compreensão de que a baixa presença de mulheres nos espaços decisórios não constitui apenas um problema de representação eleitoral, mas expressa desigualdades estruturais produzidas por dinâmicas sociais, culturais e institucionais historicamente consolidadas. Embora a Guiné-Bissau tenha aprovado, em 2018, a Lei da Paridade, que estabelece a reserva de 36% das cadeiras parlamentares para mulheres, sua implementação permanece limitada. A ausência de mecanismos eficazes de fiscalização, a não adoção do princípio de alternância nas listas eleitorais e o controle masculino sobre os processos internos de seleção de candidaturas revelam a distância entre a norma jurídica e a prática política. Nesse contexto, os partidos, enquanto instituições centrais da democracia representativa, operam como filtros que reproduzem hierarquias de gênero. A partir de uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental (legislação eleitoral, estatutos partidários e relatórios institucionais), o estudo dialoga com teorias da representação política e da institucionalização partidária, bem como com contribuições da sociologia feminista. Argumenta-se que a exclusão das mulheres está relacionada a fatores como desigualdades socioeconômicas, persistência de normas patriarcais e fragilidade do sistema partidário, impactando diretamente a formulação e a efetividade de políticas públicas sensíveis ao gênero. Conclui-se que a ampliação da participação feminina não depende apenas de cotas formais, mas de reformas institucionais, fortalecimento de organizações de mulheres e incorporação da perspectiva de gênero no desenho e na implementação de políticas públicas. Ao evidenciar a interseção entre estrutura social, partidos políticos e ação estatal, o trabalho contribui para o campo da sociologia política e para o debate sobre democratização e inclusão na África Ocidental.
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