Levantamento bibliográfico sobre pesquisas no escopo do trabalho plataformizado na Universidade Federal do Paraná

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 3 - Trabalho e Ação Coletiva no Século XXI
Atualizado em: 08/05/2026

Autoria
Autor(a): Ana Caroline Gonçalves de Souza
Resumo
Em face de inovações no modo de produção que o século XXI vem experimentando, as plataformas digitais tornaram-se onipresentes na vida social. São exemplos: as redes sociais em que os usuários compartilham fotos, o local de networking na busca pelo emprego e também as formas de empregabilidade. Com isso, a literatura produzida sobre estes trabalhadores plataformizados é extensa. As áreas do Direito, Sociologia, Economia e Administração contemplam com suas capacidades interpretativas o fenômeno da plataformização do trabalho. Tamanha a variedade de temas e áreas que por vezes pesquisas, autores e setores não se conversam. Assim, a proposta do presente trabalho é o levantamento de estudos realizados na Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre trabalho plataformizado, com o objetivo de levantar os maiores campos de estudo, convergências e divergências possíveis, bem como lacunas. Para isso, utiliza-se o Sistema de Bibliotecas da UFPR (SiBi/UFPR), de acesso aberto, para obtenção dos trabalhos de graduação e pós-graduação. O levantamento bibliográfico utiliza quatro descritores — “plataformização”, “uberização”, “trabalho por aplicativos” e “trabalho plataformizado” — e está dividido em duas seleções: a primeira elenca todos os materiais encontrados nos descritores entre o período 2016-2024 e a segunda restringe a tabulação com base nos títulos e resumos aos materiais que tratam da plataformização no trabalho relacionada às condições, empasses e mudanças de seus agentes laborais. Em seguida foram analisados os principais pontos de correspondência e divergência entre os estudos, considerando literatura trabalhada, objeto e objetivo. Nota-se uma limitação do levantamento em relação às especificidades que as categorias de trabalho implicam, de modo que estudos foram excluídos da amostra por não terem sido relacionados às palavras-chave designadas, entretanto, ainda se sustenta pela visão ampla possibilitada por análises econômicas, jurídicas e sociais do fenômeno. As discussões tornaram possíveis comparações teóricas entre Schumpeter e Marx em relação ao avanço tecnológico no trabalho, contemporaneizadas para a uberização no modo de produção capitalista; aberturas que a Reforma Trabalhista proporcionou para disputas existenciais entre trabalhador e empresa-plataforma; bem como as saídas possíveis que a economia compartilhada proporciona, por um lado a legitimação da uberização, por outro uma alternativa a ela. De maneira geral esse levantamento buscou promover o diálogo entre os pares debruçados na plataformização do trabalho, possibilitando contribuições e críticas que sustentam a produção nas Ciências Sociais, recusando, desse modo, acusações anacrônicas aos autores.
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