E aí, vai Assumir? - O Impacto das Experiências de Paternidade Adolescente na Construção Social das Masculinidades

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 12 - Corpo, Gênero e Sexualidade
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): CARLA JULIANA LOIOLA DE OLIVEIRA
Resumo
Abordar a categoria de gênero, convém considerá-la a partir da existência de performances socialmente construídas e atreladas a valores hierárquica e socialmente organizados. Este trabalho se propõe a discutir as percepções das masculinidades elaboradas a partir do discurso manifestado por jovens atravessados pela experiência da parentalidade na adolescência com recortes que consideram suas vivências de tempo, corpo e espaço sócio-historicamente contextualizados e situados, tendo em mente as relações de poder que as circunscrevem. A adolescência é tida como um período da trajetória pessoal em que socialmente se espera o adiamento de algumas vivências, dentre elas a parentalidade. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça de 2019, há muitos filhos que não possuem o registro dos pais na certidão de nascimento, uma realidade que atinge mais de 5 milhões de brasileiros. Além disso, no Brasil, mais de 11 milhões de mulheres que criam seus filhos sozinhas, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, feito em 2015, que aponta ainda que as famílias compostas por um homem sem cônjuge e com filho representam apenas 3,6%. De acordo com o Atlas da Violência (2021), a taxa de homicídios de homens por 100 mil habitantes, no Brasil, no ano de 2019, é de 40,13; enquanto que a taxa registrada de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes, no Brasil, no mesmo período é de 3,50. Assim, justifica-se a problematização em torno dessa temática e desenvolve-se esta pesquisa com o objetivo de lançar um olhar multidimensional para tal fenômeno. Este estudo se propõe de natureza qualitativa e teve como campo de aproximação algumas escolas públicas do estado do Ceará, além do Laboratório de Adolescentes vinculado à Maternidade Escola Assis Chateaubriand da Universidade Federal do Ceará com trinta adolescentes, que passam pela experiência parental. Os participantes tinham idades entre 14 e 19 anos, dispunham-se a participar ativamente nas tarefas de cuidado com a prole e possuíam nível socioeconômico baixo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e submetidas à análise de conteúdo. Os principais resultados indicaram que os interlocutores atribuíram percepções de masculinidades associadas às passagens de tempo e de ocupações dos espaços por seus corpos em decorrência da experiência da parentalidade. Os jovens pais vivenciaram a parentalidade como uma passagem da adolescência para a vida adulta, evidenciada em seus discursos (a despeito das suas idades). Além disso, suas elaborações acerca de masculinidade destacaram suas atribuições como responsáveis pelo provimento da família com o tempo pautado pelos marcadores laborais e/ou dos estudos, de modo a acercarem-se a espaços laborais. Desta feita, comumente, os interlocutores relataram remodelações dos projetos de vida almejados, bem como das vivências de tempo e de espaços pretendidos. Para concluir, ressalta-se a importância da continuidade de pesquisas nessa área.
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