A PLATAFORMIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO PARANÁ E O TRABALHO DOCENTE

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 5 - Sociologia na Educação Básica
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Michelle dos Santos Rodrigues de Lima
Resumo
A PLATAFORMIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E O TRABALHO DOCENTE

Palavras-chave: Plataformização da educação; Ensino de Sociologia; Educação básica; Trabalho docente; Tecnologias digitais.

Este trabalho apresenta uma pesquisa em desenvolvimento no âmbito do Mestrado Profissional em Sociologia, cujo objetivo é identificar e analisar criticamente as implicações da plataformização da educação para o trabalho pedagógico de professores de sociologia na rede pública estadual do Paraná.
O conceito de plataformização, conforme Poell, Nieborg e Van Dijck (2020), refere-se à crescente penetração das infraestruturas, lógicas econômicas e formas de governança das plataformas digitais em diferentes esferas da vida social. No campo educacional, esse processo tem se intensificado nos últimos anos, articulando-se às transformações associadas à racionalidade neoliberal. Como aponta Laval (2019), observa-se uma sujeição progressiva da escola à lógica econômica, reconfigurando práticas pedagógicas, formas de gestão e relações de trabalho.
A inserção das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) nas escolas brasileiras não é um fenômeno recente, mas a pandemia de Covid-19 atuou como catalisadora desse movimento, acelerando a adoção de plataformas digitais como mediação central dos processos educativos. Embora parte da literatura destaque o potencial pedagógico dessas tecnologias, pesquisas recentes evidenciam tensões e problemáticas relevantes, tais como intensificação de mecanismos de controle, coleta e uso de dados, padronização de materiais didáticos, reconfiguração das práticas docentes e aprofundamento das desigualdades digitais.
No contexto específico da educação básica, tais transformações incidem diretamente sobre o ensino de sociologia, afetando dinâmicas de planejamento, mediação pedagógica, autonomia docente e relações entre professores, estudantes e conteúdos escolares.
A análise fundamenta-se em autores que permitem compreender essas transformações a partir de diferentes perspectivas críticas. As contribuições de Manuel Castells auxiliam na compreensão da centralidade das tecnologias digitais e das redes informacionais na reorganização das dinâmicas sociais, enquanto Zygmunt Bauman oferece elementos para refletir sobre seus efeitos em um contexto marcado pela fluidez e instabilidade.
No campo das políticas educacionais, Christian Laval possibilita situar tais processos no interior da racionalidade neoliberal. Michel Foucault fornece ferramentas analíticas para problematizar as tecnologias de poder e os mecanismos de controle que atravessam o espaço escolar, e Louis Althusser contribui para a reflexão sobre os efeitos ideológicos associados à incorporação das plataformas digitais.
Metodologicamente, o estudo articula três movimentos analíticos: (1) reconstrução histórica da inserção das TDICs nas escolas do Paraná; (2) mapeamento das políticas de plataformização implementadas no estado; e (3) investigação qualitativa com professores de Sociologia, buscando compreender como esses profissionais percebem, interpretam e vivenciam tais transformações em seu cotidiano pedagógico.
Ao problematizar a relação entre tecnologias digitais, políticas educacionais e ensino de sociologia, o estudo pretende contribuir para o debate sobre as condições contemporâneas do trabalho docente na educação básica.
Referências
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