Resumo
O presente trabalho pretende debater a trajetória de Moacyr Félix como um mediador cultural a partir de sua atuação na Revista Paz e Terra. Motivada pelo diálogo religioso, a Paz e Terra circulou entre os anos de 1966 e 1969, com dez volumes publicados. Foi dirigida por Waldo César e teve Moacyr Félix como secretário. Este trabalho pretende apresentar, por meio de fontes documentais, uma perspectiva distinta de pesquisas sobre a revista que sustentam seu encerramento por questões financeiras. Enfatiza-se aqui os problemas políticos vinculados à ditadura militar como principal causa, uma vez que no momento de encerramento das atividades, a situação financeira de Paz e Terra não era tão crítica, conforme documentação. Tanto a revista quanto a editora Paz e Terra tiveram impacto significativo entre a intelectualidade vinculada ao universo católico e protestante, mas também de modo mais amplo ao discutir temas centrais da realidade brasileira. Documentos da Igreja eram publicados e havia um debate profícuo entre diferentes setores da intelectualidade. No que tange a atuação de Félix, para além de secretário, ele agiu como uma ponte entre dois mundos que compunham a sua atuação intelectual até o momento: o católico e o militante de esquerda, sendo um dos momentos significativos para a composição daquilo que ele definiu como ideias humanistas, presentes ao longo de sua trajetória.
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