JUVENTUDE, TRABALHO E EDUCAÇÃO: DESAFIOS, PERSPECTIVAS E A SUA RELAÇÃO COM O ENSINO DE SOCIOLOGIA

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 5 - Sociologia na Educação Básica
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Vanderson Garcia do Nascimento
Resumo
A presente pesquisa que ainda está em andamento investiga a juventude contemporânea que concilia trabalho e estudos no Ensino Médio, analisando seus desafios, perspectivas e a relação dessa realidade com o ensino de Sociologia. O estudo será realizado com estudantes do 3º ano do período noturno da Escola Estadual São Vicente de Paula, no município de Sinop, Mato Grosso.
A pesquisa parte do entendimento de que a juventude brasileira contemporânea está inserida em um contexto de profundas transformações econômicas, políticas e sociais, que influenciam sua inserção precoce no mercado de trabalho e a construção de sua identidade social. O trabalho, nesse cenário, não se limita apenas à necessidade financeira, mas também envolve reconhecimento social, autonomia, pertencimento e construção de sentido. Assim, compreender as motivações que levam os jovens a ingressar no mercado de trabalho é fundamental para analisar como essa experiência interfere em sua formação escolar e em seu desenvolvimento crítico.
O problema central da pesquisa busca compreender como os jovens do Ensino Médio que vivem a dupla jornada percebem a escola e o ensino de Sociologia, quais são suas perspectivas futuras e de que maneira o trabalho interfere em seu processo de aprendizagem e socialização. Pergunta-se ainda como a escola pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico desses estudantes e quais limites estruturais dificultam esse processo.
O objetivo geral consiste em descrever e compreender como os jovens conciliam trabalho e estudo e como essa experiência impacta o desenvolvimento de seu pensamento crítico. Como objetivos específicos, pretende-se analisar as motivações para o ingresso no mercado de trabalho, verificar os efeitos do trabalho na aprendizagem e refletir sobre as percepções dos estudantes acerca do ensino de Sociologia.
O referencial teórico dialoga com autores que discutem juventude, trabalho, educação e ensino de Sociologia, bem como com análises críticas sobre o papel da escola na sociedade capitalista, com destaque para as contribuições de Karl Marx acerca do trabalho e da alienação. Também são consideradas discussões sobre neoliberalismo e educação, que apontam para a tendência de transformar a escola em espaço voltado prioritariamente à formação de mão de obra.
Metodologicamente, a pesquisa adota o materialismo histórico-dialético como abordagem teórica e a pesquisa qualitativa como estratégia de investigação. O estudo será desenvolvido em três etapas: revisão bibliográfica, trabalho de campo com aplicação de entrevistas estruturadas organizadas em seis seções temáticas e análise das informações coletadas. Busca-se, assim, compreender, para além das aparências, as contradições que marcam a experiência da juventude trabalhadora no Ensino Médio e refletir sobre o papel da Sociologia na construção de uma consciência crítica capaz de auxiliar esses jovens a interpretar e transformar sua realidade.
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