MONUMENTOS PÚBLICOS DO MODERNISMO À CONTEMPORANEIDADE: RIO-SP E CURITIBA

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 4 - Sociologia da Cultura
Atualizado em: 28/04/2026

Autoria
Autor(a): Paula Tramujas
Resumo
O presente artigo analisa a função sociopolítica da escultura pública no Brasil, com foco no eixo Rio-São Paulo e em Curitiba, abrangendo o período entre o movimento modernista de 1922 e a contemporaneidade. Fundamenta-se em autores como Napolitano, Miceli e Camargo, investigando como os monumentos atuam como dispositivos de poder e ferramentas moralistas de orientação social, institucionalizadas pelo Estado e por elites intelectuais. Destaca o contraste entre o projeto modernista do eixo Rio-SP — que frequentemente celebrava a miscigenação — e o Paranismo curitibano, que buscava consolidar uma identidade regional vinculada à "branquitude" por meio de uma estética autoritária e figurativa. O estudo de caso do Monumento do Centenário do Paraná (Homem Nu) ilustra o tensionamento entre a herança europeia almejada pela elite local e as influências formais do modernismo carioca. Metodologicamente, a investigação identifica redes de sociabilidade em três eixos, conectando artistas como João Turin, Victor Brecheret e Erbo Stenzel. Analisa-se a evolução da monumentalidade heróica para a abstração neoconcreta e, posteriormente, para a escultura contemporânea de Tomie Ohtake e Emanoel Araújo, na qual a arte pública passa a priorizar o diálogo urbano e a experiência relacional. Conclui-se que o monumento público é um campo de batalha simbólico cujas escolhas estéticas revelam projetos de nação e região, refletindo as ideologias dos detentores do poder e as transformações da paisagem social brasileira.
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