O trabalho propõe uma reflexão sobre a formação de professores de Sociologia para a Educação Básica a partir do diálogo com a pedagogia crítica, tomando como referências centrais as contribuições de Paulo Freire e bell hooks. Parte-se do entendimento de que o Ensino de Sociologia, especialmente no contexto da escola básica, não se restringe à transmissão de conteúdos conceituais da disciplina, mas envolve a construção de práticas pedagógicas comprometidas com a formação crítica dos estudantes, com a leitura sociológica da realidade social e com o enfrentamento das desigualdades que atravessam o cotidiano escolar. Nesse sentido, a docência em Sociologia demanda uma formação que articule saberes teóricos, sensibilidade pedagógica e compromisso ético-político.
As reflexões de Paulo Freire, ao conceber a educação como prática da liberdade e o processo educativo como diálogo, oferecem fundamentos importantes para pensar o ensino de Sociologia como um espaço de problematização da realidade e de produção coletiva do conhecimento. De modo complementar, a pedagogia engajada proposta por bell hooks contribui para compreender o ensino como um ato transgressor, no qual afeto, escuta, experiência e reconhecimento das diferenças ocupam lugar central na relação pedagógica. Ambas as perspectivas tensionam modelos tradicionais de formação docente marcados pela verticalização do conhecimento, pela neutralidade aparente do ensino e pela dissociação entre teoria e prática.
O artigo discute como o diálogo entre Sociologia e pedagogia crítica permite ressignificar a sala de aula como um espaço de encontro, construção de sentidos e resistência, especialmente em contextos escolares atravessados por precarização das condições de trabalho docente, disputas políticas em torno do currículo e questionamentos à presença da Sociologia na Educação Básica. Argumenta-se que a incorporação das contribuições de Freire e bell hooks na formação de professores de Sociologia fortalece práticas pedagógicas mais reflexivas, dialógicas e socialmente comprometidas, capazes de reconhecer os estudantes como sujeitos de conhecimento e de valorizar suas experiências sociais.
Trata-se de uma reflexão de caráter teórico-analítico, ancorada na experiência com o ensino e a formação docente, que busca aproximar o pensamento sociológico das práticas pedagógicas cotidianas nas escolas. Ao articular Sociologia e pedagogia crítica, o trabalho contribui para o debate sobre o Ensino de Sociologia como espaço de esperança, resistência e formação cidadã, reafirmando o papel da disciplina na construção de uma educação democrática e socialmente referenciada.
Referências
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