Moradia Primeiro e Redomiciliamento Rápido como transferência e adaptação de política pública: o caso de Araucária/PR.

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 13 - Sociologia e Políticas Públicas
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Rafael Mendonça de Paula
Resumo
O número de pessoas em situação de rua (PSR) cresce rapidamente no Brasil e no mundo nos últimos anos. Estima-se um um crescimento de 38% entre 2019 e 2022,(NATALINO, 2022, p. 13). Só para citar alguns exemplos de outros países, Fetters e Barocas (2025) referem um crescimento de 38% do número de PSR nos últimos 02 anos, totalizando 771 000. A Dinamarca teve um aumento de 33% no período de 2009 a 2017 (BENJAMINSEN, 2018), com forte crescimento dos jovens em situação de rua (BENJAMINSEN, 2013).

Contudo, além do crescimento do número de PSR, há também o fenômeno de difusão de Housing First (HF) como uma política pública pelo mundo. O HF iniciou como um programa experimental na cidade de Nova Iorque em 1992, e gradualmente tornou-se um modelo replicado em diversos países, mas também um novo paradigma e uma filosofia (COLOMBO; SARUIS, 2016). Criado em 1992 pelo psicólogo Sam Tsemberis, o HF começou como um novo serviço para atendimento de pessoas portadoras de transtorno mental em situação de rua que postula o acesso sem condicionalidades a uma moradia individual como primeira intervenção (ATHERTON; NICHOLLS, 2008; PLEACE; BRETHERTON, 2012; LANCIONE et al., 2018). Ao assim proceder, o HF contrapõe-se o modelo tradicional de atendimento, e constitui um novo paradigma que desafia os modelos institucionais de atendimento à PSR (STYLIANIDES, 2022; CLARKE; PARSSEL; VORSINA, 2020)

Exportado como uma intervenção baseada em evidência (WATSON et al., 2020),a difusão do HF dá-se como um modelo de intervenção, mas também como uma filosofia, que informa novas formas de intervenção, como por exemplo o rapid rehousing, ou redomiciliamento rápido (RDR).

O RDR é uma metodologia de atendimento de pessoas em situação de rua baseada nos princípios do HF, que preconiza o domiciliamento de pessoas ou famílias em situação de rua através de um subsídio financeiro (aluguel social) que possibilita a locação de um espaço privado de habitação e o acompanhamento por equipe especializada em um período que varia de 03 até 18 meses (SLESNICK, 2023). Foi desenvolvido pelo Departamento de Moradia e Desenvolvimento Urbano dos Estados
Unidos em um programa de 2009 criado para enfrentar a crise habitacional causada pela crise financeira de 2008 (GARCIA; KIM, 2020). Cunningham, Gillespie e Anderson (2015) em sua revisão de bibliografia afirmam que o redomiciliamento
rápido é uma “intervenção com poucos pré requisitos, alta taxa de colocação em domicílio e baixa taxa de retorno ao colhimento institucional” (2015, p. 01) e que há um pequeno, mas crescente, corpo de evidências da sua eficiência. Sua proposta é de ser uma forma de intervenção precoce e não exclusiva para a situação de rua, ao contrário do HF.

Em Araucária, há 04 anos existe um projeto de domiciliamento de PSR através da concessão de um benefício em pecúnia, com uma taxa de sucesso significativa de 50%, custando significativamente menos que o acolhimento institucional e está em processo de implementação do HF com o domiciliamento em casas locadas e mobiliadas, programa voltado para pessoas em situação de rua crônica.
Referências
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addressing multiple needs and homelessness. European Journal of Homelessness, v. 2, p.
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CLARKE, Andrew; PARSELL, Cameron; VORSINA, Margarita. The role of housing policy
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COLOMBO, Fabio; SARUIS, Tatiana. Housing First: From Local Social Innovation to a
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GARCÍA, Ivis; KIM, Keuntae. “I Felt Safe”: The role of the rapid rehousing program in
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International journal of environmental research and public health, v. 17, n. 13, p. 4840,
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LANCIONE, Michele; STEFANIZZI, Alice; GABOARDI, Marta. Passive adaptation or
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NATALINO, Marco. Estimativa da população em situação de rua no Brasil (2012-2022).
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PLEACE, Nicholas; BRETHERTON, Joanne. What do we mean by Housing First?
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