Utopia e estrutura de sentimentos no Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina (MMC/SC)

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 4 - Sociologia da Cultura
Atualizado em: 28/04/2026

Autoria
Autor(a): Júlia Samily Kich
Coautores: Fábio Carminati
Resumo
O foco deste trabalho reside em uma análise da utopia que é produzida no âmbito das músicas do Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina (MMC/SC). As músicas fazem parte de uma estrutura de sentimentos que constituem a mediação de um projeto de militância de esquerda através da utopia. Situado no campo da Sociologia da Cultura, este trabalho integra uma pesquisa mais ampla de trabalho de conclusão de curso em Ciências Sociais. Sob a ótica do marxismo ocidental e opondo-se ao determinismo da teoria do reflexo, a partir de autores como Raymond Williams, Michael Lowy, Marcelo Ridenti e Renato Ortiz, investiga-se a criação de canções próprias da organização e a presença de outras músicas de uma tradição da produção cultural de esquerda do século XX como instrumento de engajamento em um movimento social com mais de 40 anos de existência. Na metodologia deste trabalho utiliza-se de instrumentos do trabalho etnográfico e de entrevistas com diferentes sujeitos, desde a juventude da organização às militantes históricas e um dos artistas que contribuíram para a criação de suas principais obras musicais que tornaram-se projeções utópicas. O principal objetivo da pesquisa é situar o leitor na época em que a estrutura de sentimentos mobilizada é criada, visando a interpretação das bases sociais de seu conteúdo. Deste modo, realiza-se a contextualização do cenário social e cultural do Brasil das décadas de 1970 a 1980, os conflitos políticos, a ascensão da indústria cultural e a produção cultural deste grupo social inserida como cultura emergente. A compreensão de utopia adotada neste trabalho afasta-se da sua abordagem clássica na literatura, sendo trabalhada a partir da perspectiva de sua ressignificação contemporânea e política, como vetor de ruptura com a reificação da estrutura histórica existente em vistas a algo que pode vir a ser. Coloca-se em questão como o MMC/SC relaciona-se a um projeto de utopia. Nesse sentido, mobiliza-se a categoria do romantismo revolucionário na leitura de suas músicas, na compreensão de que há uma cultura residual que mobiliza a crítica da modernidade capitalista a partir de elementos do passado, como a tradição camponesa e sua religiosidade.
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