A Sociologia da Inovação, embora situada no espectro da emergência disciplinar e ainda carente de programas de estudo específicos, tem construído seu percurso teórico por meio de um diálogo fértil e multidisciplinar com as ciências econômicas e de gestão. Longe de negar a importância das métricas tradicionais, a literatura recente busca estabelecer confluências, oferecendo uma camada analítica complementar para compreender a complexidade da inovação como política pública, especialmente onde as lógicas de mercado não são as únicas determinantes. Este trabalho tem como objetivo discutir a eficácia dessa abordagem sociológica para a análise das Políticas aplicadas às Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTIs) de direito público, com foco nos Institutos Federais. Parte-se da premissa de que a inovação nessas instituições ocorre em uma zona de interseção entre a racionalidade administrativa (burocracia/legalidade) e as redes de colaboração científica e social. Argumenta-se que, neste contexto, a função analítica da sociologia é somar-se às ferramentas de gestão já estabelecidas, aportando conceitos como "redes sociotécnicas" e "construção social da tecnologia". Essa perspectiva integradora permite investigar como os agentes atuam como tradutores de demandas sociais, operacionalizando a inovação no contexto do direito público. Conclui-se que fortalecer a Sociologia da Inovação como campo de estudo não significa rivalizar com a economia, muito menos com outros estudos sociológicos de grande relevância, mas sim contribuir para a robustez da capacidade de diagnóstico no âmbito das ICTIs públicas. A abordagem multidisciplinar revela-se essencial para legitimar uma inovação que seja, ao mesmo tempo, tecnicamente viável, juridicamente segura e socialmente enraizada.
Referências
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