Resumo
Desde a Proclamação da Independência dos Estados africanos no início da década de 1960, a questão da governabilidade e a imprevisibilidade das instituições têm representado os principais obstáculos ao alcance do desenvolvimento econômico e da estabilidade política. Durante o processo de construção do Estado, observou-se a fragilidade dos governos, que enfrentam problemas estruturais de ordem social, econômica e cultural. Nesse contexto, diversos países adotaram o desenho de modelos institucionais ocidentais como mecanismo para a organização da sociedade e a resolução de conflitos, sem uma revisão profunda da origem e dos problemas que essas instituições carregam. Essas novas instituições criaram modelos de regimes patrimoniais, que combinam a burocracia administrativa autoritária, o clientelismo e a violência política institucionalizada. Apesar da abertura democrática no início da década de 1990, o sistema de governança continua sendo moldado pelas elites dos regimes patrimoniais. Este artigo busca compreender em que medida a teoria da escolha racional contribui ou não para a explicação do comportamento das elites políticos no sistema político africano. Para esta análise, foi adotado a revisão bibliográfica e a pesquisa documental como os métodos principais para a realização da pesquisa. A conclusão do artigo reforça a ideia de que a crise da democracia na África se deve em grande parte ao comportamento das elites e ao modelo de instituições democráticas adotado, que não se encaixa nas dinâmicas locais de organização do sistema político. Isso não implica que a democracia seja regime ineficaz; o problema reside na realidade dos países africanos, que não se adequam ao modelo de democracia imposto.
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