Resumo
Este trabalho propõe uma análise sociológica do Caso Vila Domitila (Curitiba/PR) com recorte temporal entre 1871 e 1945. O objetivo é investigar como determinados agentes políticos e administrativos, situados em famílias com prestígio e capital político-econômico, se articulam por relações de parentesco, alianças e compromissos, incidindo sobre decisões e atos institucionais que estruturam a cadeia documental do caso. A pesquisa mobiliza o método prosopográfico, definindo um universo de atores relevantes e um questionário uniforme (origens sociais, vínculos familiares, trajetórias, cargos e posições ocupadas), buscando identificar padrões de coesão grupal e mecanismos de reprodução social. O enquadramento teórico combina: (i) interpretações do coronelismo e do mandonismo que destacam a centralidade de parentelas e redes de compromisso na organização do poder; (ii) a noção de “famílias históricas” e de “classe dominante tradicional” aplicada ao Paraná, para compreender a reprodução intergeracional de capitais familiares e políticos; e (iii) abordagens sobre Estado e poder simbólico, para interpretar a eficácia social de atos oficiais e registros na produção de classificações e direitos. Empiricamente, parte-se de documentos que situam a origem do caso em concessões e atos de 1871 e acompanha-se a reconfiguração institucional do período, com ênfase em operações administrativas e registrárias nas décadas seguintes, incluindo atos e episódios decisivos na Primeira República e culminando na transferência à autarquia previdenciária em 1945. Por fim, o trabalho indica como tais estruturas históricas de poder e suas mediações institucionais ajudam a compreender a persistência do conflito e seus desdobramentos contemporâneos, sem perder o foco do recorte analítico proposto.
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