Quando a juventude ocupa o palco: o Festival de Arte da Rede Estudantil (FERA) como espaço de construção de sentidos entre cultura, escola e identidade juvenil.
Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 16 - Educação, Diversidades, Diferenças e Inclusão Social
resumo:
Esta pesquisa faz parte do projeto “Ensino de Sociologia e escola: a condição juvenil no centro do debate”, que tem como problemática a relação entre Juventude e Escola, suas tensões e desafios, a partir da sua intersecção com o Ensino de Sociologia. O trabalho que aqui se apresenta analisa o Festival de Arte da Rede Estudantil (FERA) como uma experiência educativa marcada pela disputa de sentidos em torno da diversidade cultural, das diferenças juvenis e dos processos de inclusão no espaço escolar, especificamente nas instituições do litoral paranaense. Realizado entre 2004 e 2010 pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, o FERA constituiu-se como uma política pública que introduziu práticas artísticas e culturais no cotidiano da escola pública, possibilitando a visibilização de linguagens juvenis historicamente marginalizadas, como as vinculadas à cultura Hip-Hop, à dança e à expressão corporal. A pesquisa tem como objetivo compreender como essa experiência foi significada por diferentes sujeitos envolvidos no Festival, articulando duas perspectivas: a de estudantes participantes e a de professores que atuaram na mediação pedagógica do projeto. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com professores e ex-estudantes que participaram do FERA no litoral do Paraná. A análise das narrativas evidencia que, para os estudantes, o FERA representou uma ruptura com a lógica escolar tradicional, ao reconhecer práticas culturais frequentemente ligadas à periferia, ao corpo e à juventude como formas legítimas de expressão e conhecimento, assim como também operou como motor para as trajetórias estudantis e laborais dos participantes, extrapolando o espaço escolar e construindo um ciclo cultural, influenciando escolhas profissionais inserções no mundo do trabalho e engajamentos comunitários. Para os professores, o Festival aparece como um espaço ambíguo: ao mesmo tempo em que amplia possibilidades pedagógicas e promove a inclusão simbólica de sujeitos e culturas diversas, também expõe tensões institucionais relacionadas ao currículo, à hierarquização dos saberes e à permanência de desigualdades no interior da escola. Os relatos indicam também que a participação no FERA contribuiu para o fortalecimento do sentimento de pertencimento escolar, para a valorização de identidades culturais e para a ampliação das experiências de alteridade, ao promover o encontro entre jovens de diferentes territórios e trajetórias sociais. Observam-se ainda desdobramentos que ultrapassam o evento em si, uma vez que parte dos ex-participantes manteve vínculos com práticas culturais, educativas ou comunitárias, apontando para impactos formativos de médio e longo prazo. Ao evidenciar essas experiências, o estudo permite compreender o FERA como um espaço no qual se tornaram visíveis disputas em torno do reconhecimento da diversidade cultural e das diferenças juvenis no interior da escola pública.
Referências
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