Resumo
O projeto analisa a relação entre padrões sociais de beleza e o bullying no ambiente escolar, compreendendo a estética corporal como construção histórica marcada pelo eurocentrismo, patriarcado e capitalismo. Parte da hipótese de que esses referenciais produzem exclusão, discriminação e sofrimento psíquico, atingindo principalmente estudantes negros e outros grupos socialmente marginalizados.
O objetivo é investigar os impactos do bullying a partir de uma perspectiva interseccional, considerando raça, gênero, classe e corporalidade, com ênfase na saúde mental de estudantes negros. Também busca compreender como o ensino de Sociologia pode contribuir para o enfrentamento dessas violências e para a promoção de uma educação inclusiva e humanizada.
A pesquisa adota abordagem qualitativa e quantitativa, com caráter de intervenção pedagógica, realizada em uma escola pública de Marília (SP). Utiliza questionários aplicados a estudantes e professores, análise de dados oficiais (como a PeNSE/IBGE/MEC) e documentos institucionais, além de atividades pedagógicas articuladas ao ensino de Sociologia, com práticas coletivas e interdisciplinares.
O estudo problematiza a noção de beleza como construção social vinculada à mercantilização dos corpos e à naturalização das desigualdades. Analisa como esses padrões operam no espaço escolar, legitimando práticas de bullying, racismo, gordofobia, misoginia e LGBTfobia. Destaca-se o papel da Sociologia na desnaturalização das relações de poder, no fortalecimento das identidades e na valorização da diversidade.
A intervenção foi aplicada ao longo de três meses (setembro a novembro de 2025) com turmas do ensino médio, por meio de material pedagógico autoral, em uma escola que já apresentava ocorrências significativas de violência, inclusive racismo.
A pesquisa encontra-se na fase de análise de dados e aprofundamento teórico. Espera-se contribuir para a compreensão do bullying como fenômeno estrutural, evidenciando sua relação com padrões estéticos e desigualdades sociais, aonde também investigo forma velada de racismo nos dados estatísticos sobre bullying nos órgãos públicos nacionais (MEC) e a injustiça racial que ocorre, onde critico que bullying e racismo não distintos mas bullying é um "espectro" do racismo que reforça alienação, estranhamento e o mito da democracia racial, pesquisa propõe um material pedagógico para educadores em sala de aula, aplicarem, onde identidade estudantil, negra e de gênero e promove a compreensão e desnaturalização das relações opressoras através do ensino de sociologia.
Presente pesquisa faz parte do Programa ProfSocioNacional da Unesp de Marília, através do orientador Prof. Assistente Cauê Gomes Flor, Departamento de Sociologia e Antropologia, Pesquisador do Grupo de Estudos Enfoques Antropológicos (UNESP), Pesquisador do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (NUPE/UNESP), Pesquisador do CANIBAL - Grupo de Antropologia do Sul e do Leste Globais (USP).
Faculdade de Filosofia e Ciências; UNESP/Marília-SP.
e-mail: caue.flor@unesp.br
Referências
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BRASÍLIO, L. A. Um olhar sócio-histórico sobre a beleza: das amarras à alteridade. 2007. Disponível em:https://repositorio.unesp.br/entities/publication/a8e6d269-cbad-4bf9-898c-7d8d6213dc30 . Acesso em: 15/09/2025. (na intervenção pedagógica foi utilizado esta pesquisa)
ECO, H. História da beleza. Tradução Eliana Aguiar. 2ª edição. Rio de Janeiro:
Record, 2010 (na intervenção pedagógica foi utilizado esta obra)