Lukács e a política: apontamentos preliminares sobre os "escritos políticos" lukacsianos

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 8 - Pensamento Social
Atualizado em: 24/04/2026

Autoria
Autor(a): Lucca Faustino Cunha
Resumo
Este trabalho possui como objeto os escritos políticos de György Lukács (1885-1971), priorizando aqueles situados no período identificado como de maturidade do autor, notadamente a década de 1960. Quando, em 1918, Lukács adere ao recém fundado Partido Comunista Húngaro (PCH), este realiza aquela que seria considerada a maior ruptura de toda sua vida, a partir daí pressupõe-se que o autor tenha intervenção direta nas questões postas na ordem do dia, ou seja, a política transforma-se em um imperativo prático que o acompanhará por toda sua vida. Isto, porém, não significa que há uma homogeneidade nas posições políticas defendidas e adotadas por Lukács ao longo de seus mais de 50 anos de militância, ao contrário, assim como em suas formulações teóricas, os chamados “escritos políticos” são marcados por diversas inflexões, passíveis de serem compreendidas apenas em seu “tempo e modo”. Tais inflexões perpassam ao menos três momentos distintos: o primeiro sendo os dez anos de intensa militância que sucedem sua adesão ao PCH, caracterizado pela transição de um messianismo utópico para uma realpolitik revolucionária; o segundo abarcando os anos imediatamente subsequentes ao final da segunda guerra mundial (1945), quando Lukács, diante do surgimento das democracias populares, defende a ideia de uma nova democracia; e o terceiro após o ano de 1956, quando ocorre o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e se tem início o chamado “processo de desestalinização”, marcado pela crítica aberta realizada pelo autor ao stalinismo, que encontra seu ápice em um ensaio de 1968, intitulado “o processo de democratização”. Dessa forma, nosso objetivo é testar a hipótese de que os escritos políticos do “último” Lukács seriam o ponto culminante de suas reflexões políticas, rearticulando e recolocando sob nova luz todas suas intervenções anteriores. Para isso, nos apoiamos em uma acurada revisão bibliográfica, que levou em conta não apenas os escritos do referido autor, mas também de seus principais interlocutores, a fim de nos aproximarmos do “estado da arte” do debate.
Referências
DEL ROIO, Marcos. Lukács e a questão da democracia como estratégia. In: Revista Izquierdas n°50. 2021.
LUKÁCS, György. O processo de democratização. In: LUKÁCS, György. Socialismo e democratização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2008.
LUKÁCS, György. O jovem Marx e outros escritos de filosofia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
LUKÁCS, György. Táctica y Ética – escritos tempranos (1919-1929). Buenos Aires: Herramienta, 2014.
NETTO, José Paulo. Lukács – tempo e modo. In: NETTO, José Paulo (org.): György Lukács – Sociologia. São Paulo: Editora Ática. 1992.
NETTO, José Paulo. Sobre Lukács e a política. In: Socialismo e democratização: escritos políticos 1956-1971. Rio de Janeiro: UFRJ. 2008.
VEDDA, Miguel. Apresentação. In: LUKÁCS, György. Lênin: Um estudo sobre a unidade de seu pensamento. São Paulo: Boitempo, 2012.