Resumo
Este artigo fundamenta teórica e metodologicamente a compreensão do cinema latino-americano como forma de pensamento social. Por meio de revisão narrativa da literatura, articula contribuições da sociologia da cultura, teorias da representação e pensamento social decolonial para demonstrar que a linguagem cinematográfica constitui produção intelectual situada, capaz de elaborar interpretações sobre identidade cultural, desigualdade social, relações raciais e processos históricos na América Latina. O estudo examina como o cinema opera como mediação simbólica que reorganiza o sensível e participa da constituição de regimes de visibilidade, mobilizando categorias como colonialidade do poder (Quijano, 2010), partilha do sensível (Rancière, 2009) e representação cultural (Hall, 2006). Fundamenta-se a análise fílmica como procedimento sociológico interpretativo, articulando a concepção da imagem como documento social (Weller; Bassalo, 2011) ao método da redução sociológica (Guerreiro Ramos, 1996). Conclui-se que o cinema latino-americano pode ser legitimamente analisado como forma de pensamento social, contribuindo para o debate sobre circulação de ideias, produção intelectual periférica e pluralização epistemológica nas Ciências Sociais.
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