Resumo
O presente trabalho procura estudar a memória a partir das práticas da pixação de Curitiba. O objetivo consiste em compreender como as diferentes ações e coletivos de pixadores curitibanos fazem parte de uma rede de produção de memórias. A memória, no âmbito da sociologia, a partir dos estudos de Maurice Halbwachs (1990), ganhou evidência ao retratar como esse fenômeno se entrelaça com os aspectos sociais da vida cotidiana, formando uma memória coletiva no interior de um grupo.
A pixação, contudo, como uma prática "desviante" (Becker, 2008) está envolta em uma dinâmica na qual sua prática de transformação e ocupação dos espaços urbanos evidencia um tensionamento em torno do "direito à cidade" (Lefebvre, 2008), em que a produção da cidade é realizada de maneira segregada. Os pixadores estão, portanto, inseridos na vida urbana contemporânea, marcada pelas suas fissuras, conflitos e desigualdades (Harvey, 2009).
Esse grupo, ainda, possui uma relação particular com o meio urbano, desenvolvendo formas próprias de socialização e também uma rede de indivíduos que interagem, se agrupam e se reconhecem por meio de suas práticas. Este estudo pretende demonstrar como certas práticas, como a “Folhinha”, folhas de caderno utilizadas com a finalidade de recolher assinaturas de outros pixadores, e a “Agenda”, espaços que detêm pixações de diferentes datas, buscam preservar e demarcar a memória da pixação na cidade, fazendo parte dessa rede de memórias que é reproduzida no interior do grupo. O trabalho busca compreender, também, como os points e os rolês, espaços de encontro e sociabilidade dos pixadores, se constituem e servem como ambientes de troca de experiências, de reconhecimento entre os membros do grupo e de produção e reprodução de lembranças.
Metodologicamente, este trabalho ampara-se em aspectos qualitativos da pesquisa social, a partir da mobilização de revisão bibliográfica, análise documental e observação participante, com a finalidade de demonstrar como os pixadores de Curitiba constroem espaços, práticas e formas de documentação que apontam para a construção de uma memória coletiva no interior do grupo.
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