A inauguração da Sala Lilás Janaína Bezerra na Universidade Federal do Piauí: institucionalização do enfrentamento ao assédio e suas implicações

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 12 - Corpo, Gênero e Sexualidade
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Tayná Egas Costa
Coautores: Lara Roberta Rodrigues Facioli
Resumo
O enfrentamento ao assédio moral e sexual nas universidades públicas brasileiras ganhou novo impulso com promulgação da Lei nº 14.540/2023, que institui o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio sexual e à Violência Sexual no âmbito do ensino superior federal. Inserido nesse contexto, o presente trabalho integra uma pesquisa de doutorado em Sociologia em andamento, que investiga as dinâmicas institucionais de enfrentamento ao assédio moral e sexual na Universidade Federal do Piauí (UFPI). O artigo analisa a inauguração da Sala Lilás Janaína Bezerra, ocorrida em agosto de 2025 no campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina, tomando-a como evento sociologicamente significativo para compreender os processos de institucionalização das políticas de combate à violência. Metodologicamente, trata-se de relato de campo com análise crítica, fundamentado em observação não participante e análise documental de resoluções e planos institucionais elaborados pela nova gestão da Reitoria. A inauguração da Sala Lilás não se restringiu a um ato administrativo, configurando-se como uma cena pública de articulação política simbólica. A presença da gestão universitária, de movimentos estudantis e de representantes da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí e da Secretaria de Políticas para as Mulheres evidencia a construção de uma estratégia intersetorial. O espaço integra o Plano setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação da UFPI e articula-se ao Programa Nacional das Salas Lilás, lançada pelo Governo Federal em 2025. Argumenta-se que a Sala Lilás opera simultaneamente com dispositivo institucional de acolhimento e como marcador simbólico de posicionamento político da universidade diante da violência. Se por um lado, apresenta avanço concreto na formalização de protocolos e fluxos de atendimento, por outro, suscita questões acerca da sustentabilidade das ações, da dependência de parcerias com órgãos e segurança pública e da capacidade de tais iniciativas produzirem transformações estruturais na cultura organizacional universitária. A o analisar essa cena inaugural, o trabalho problematiza os limites e as potencialidades da institucionalização do enfrentamento ao assédio no ensino superior público, defendendo que a consolidação de políticas efetivas exige não apenas dispositivos formais, mas transformações nas hierarquias internas, nos regimes de reconhecimento e nas práticas cotidianas que sustentam as novas sensibilidades de percepção e nomeação de violências e outras discriminações dentro de novos arranjos de gênero na contemporaneidade.
Referências
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