A acumulação por espoliação no governo Bolsonaro (2019 – 2023)

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 11 - Capitalismo Contemporâneo e Transformação Social
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Lauro Allan Almeida Duvoisin
Resumo
O presente artigo analisa o projeto econômico vigente no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro (2019 - 2023). Diversos autores têm apontado que este período representou uma retomada do neoliberalismo. Neste sentido, o governo Bolsonaro teria dado continuidade e aprofundado a política econômica iniciada pela gestão de Michel Temer (2016 - 2019), caracterizada pelo retorno das privatizações de empresas estatais, pela desregulamentação comercial e financeira, pela lógica da austeridade nas finanças públicas e pela redução e precarização de direitos trabalhistas e sociais. Este trabalho visa contribuir para qualificar esta caracterização, apontando que o processo em curso também representou a intensificação da acumulação por espoliação. Ao longo do artigo, discute-se o alcance do conceito de acumulação por espoliação ou por despossessão desenvolvido por David Harvey em diálogo com outros autores de tradição marxista e busca-se operacionalizá-lo para o caso brasileiro. Tal conceito refere-se a um conjunto de atividades de caráter predatório que se desenvolveram em diferentes setores econômicos. Seguindo a discussão teórica marxista, a acumulação por espoliação teria semelhanças com o conceito de acumulação primitiva. A análise empírica aponta que as principais frentes de acumulação por espoliação durante o governo Bolsonaro foram as finanças, os recursos naturais e a força de trabalho. As evidências apresentadas ao longo do artigo baseiam-se em revisão de literatura, análise de artigos jornalísticos, e secundariamente, em dados quantitativos na medida em que estes elucidam as tendências econômicas em curso. O artigo aponta também que o aprofundamento da acumulação por espoliação não foi casual, e sim resultante das políticas neoliberais implementadas ao longo do período estudado, tendo sido orientado ideologicamente pelo presidente da República e contando com a atuação deliberada de atores e agências estatais.
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