Resumo
Este trabalho apresenta a elaboração de uma cartilha didática desenvolvida como produto educacional no âmbito do Mestrado Profissional em Sociologia em Rede Nacional (PROFSOCIO/UFPR), que foi concebida como proposta de apoio a pessoas docentes no Ensino Médio, especialmente no Curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas integrado ao Ensino Médio. Esse material surge em um contexto marcado pela Reforma do Ensino Médio, implementada na rede pública estadual do Paraná em 2022, e pela reorganização curricular orientada por princípios neoliberais e tecnocráticos, que intensificaram a centralidade da formação técnica e reduziram o espaço das Ciências Humanas, particularmente da Sociologia, nos currículos escolares.
Desse modo, a pesquisa partiu da pergunta: “O que a Sociologia pode ensinar ao Curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas?” Com isso, se adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, fundamentada na revisão bibliográfica e na análise documental crítica, se utilizando da narrativa reflexiva a partir das experiências vivenciadas pelo autor enquanto docente e coordenador de curso e da análise de documentos referentes ao currículo oficial do referido curso técnico, bem como planos de aulas desenvolvidos pela Secretaria de Educação do Paraná (RCO+Aulas).
O trabalho dialoga com referenciais da pedagogia crítica e da Sociologia da Educação, especialmente Paulo Freire e bell hooks, bem como com contribuições da Sociologia Digital, mobilizando autores como Deborah Lupton, Leonardo Fernandes Nascimento e Neil Selwyn para compreender os desdobramentos das plataformas digitais, dos algoritmos e da cultura de dados na formação escolar contemporânea.
A partir dessas reflexões, foi elaborada uma cartilha, que inicialmente foi pensada a partir da disciplina de Introdução à Computação, por abordar conteúdos frequentemente apresentados sob uma narrativa linear e tecnicista da história e do desenvolvimento tecnológico digital. Contudo, o material foi concebido para dialogar com diferentes áreas do conhecimento e componentes curriculares, podendo ser apropriado por diferentes áreas. Pensada como material de apoio à prática docente, a proposta reúne sugestões de atividades, debates e recursos didáticos que articulam dimensões técnicas e sociais da tecnologia, abordando temas como Capitalismo de Vigilância, Colonialismo de dados, Mulheres na Tecnologia de Informação, Neoliberalismo e Reformas Educacionais, entre outros.
Mais do que oferecer um modelo didático a ser seguido, a cartilha busca afirmar a prática docente como espaço de criação e mediação crítica do conhecimento, compreendendo o ensino técnico como campo de disputas curriculares e formativas. Nesse sentido, o trabalho defende que a presença da Sociologia no ensino técnico não constitui um complemento, mas uma dimensão fundamental para a formação de estudantes capazes de compreender e problematizar os contextos sociais nos quais as tecnologias são produzidas e utilizadas.
Referências
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