Colonialidade do Poder e Racismo Algorítmico: O Reconhecimento Facial como Ferramenta de Controle

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 8 - Pensamento Social
Atualizado em: 24/04/2026

Autoria
Autor(a): Luana Tamires Lopes
Resumo
A tecnologia de reconhecimento facial tem sido amplamente utilizada na segurança pública, especialmente na identificação de suspeitos durante investigações policiais e na produção de provas nos processos criminais. No entanto, sua aplicação prática tem revelado uma maior identificação da população negra em detrimento a outros grupos sociais. Esses fatos ocorrem devido a uma estrutural social que tem como história a reprodução de desigualdades. Longe de ser neutra ou cegamente confiável, essa tecnologia reflete as limitações e vieses presentes em suas bases de dados, frequentemente construídas sob uma lógica eurocêntrica. Assim, sua identificação não são apenas técnicas, mas expressão de uma estrutura social e tecnológica racializada.
Este artigo tem como objetivo analisar como o racismo algorítmico e a colonialidade do poder se entrelaçam na aplicação do reconhecimento facial, contribuindo para a manutenção de estruturas de exclusão e dominação. A partir do conceito de colonialidade do poder, formulado pelo autor Aníbal Quijano, discute-se como hierarquias raciais originadas no período colonial persistem em sistemas contemporâneos, inclusive nos tecnológicos. O reconhecimento facial, nesse contexto, atua como ferramenta de vigilância seletiva, reforçando a criminalização de corpos negros e aprofundando as desigualdades raciais. A pesquisa propõe uma reflexão crítica sobre o uso dessa tecnologia e seus impactos sociais, considerando autores do pensamento latino-americano.

Palavras-chave: Reconhecimento facial; colonialidade do poder; racismo algoritmo; pensamento latino-americano; Segurança Pública.
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