Resumo
Este artigo apresenta as bases teóricas e o desenho metodológico de uma pesquisa em andamento sobre como professores de Sociologia da rede Estadual de Educação de Santa Catarina, vinculados à Coordenadoria Regional de Educação de Canoinhas, percebem e utilizam a Inteligência Artificial (IA) em suas práticas pedagógicas, bem como as dificuldades enfrentadas para integrar essa tecnologia ao cotidiano escolar. Longe de enxergar a tecnologia apenas como um recurso técnico, o trabalho a problematiza como um fenômeno sociotécnico que reconfigura os processos de saber e de poder no cotidiano escolar. O ponto de partida é o olhar atento à ausência de uma mediação crítica frente às inovações digitais, o que pode transformar o ato pedagógico em uma prática automatizada e descontextualizada.
A fundamentação teórica articula os conceitos de capital cultural de Bourdieu e a pedagogia crítica de Giroux às discussões contemporâneas sobre colonialismo digital e racismo algorítmico, presentes nas obras de Sérgio Amadeu e Tarcízio Silva. O objetivo central é demonstrar como a Sociologia escolar pode atuar na análise crítica dos mecanismos algorítmicos, promovendo um letramento digital que fortaleça a autoria de professores e estudantes. Metodologicamente, descreve-se o planejamento de uma pesquisa qualitativa com os docentes da referida região, cujas percepções e experiências orientarão a criação do guia didático “Sociologia + IA: criando com inteligência e consciência”. Conclui-se que o fortalecimento da autonomia docente é o caminho essencial para que a tecnologia sirva à emancipação e não ao controle no chão da escola.
Palavras-chave: Ensino de Sociologia; Inteligência Artificial; Escola Pública; Autonomia Docente; Letramento Algorítmico.
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