O Estado de São Paulo em evidência: As classes e a eleição de 2022

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 6 - Pensamento Político na América Latina
Atualizado em: 17/04/2026

Autoria
Autor(a): Kim Fraga Lima
Resumo
Eleições podem ser entendidas como palco institucional da luta de classes. Neste caso, o confronto de interesses entre as classes ajudaria a entender o processo eleitoral. As eleições de 2022, as mais divididas da Nova República, deram uma pequena margem favorável a Lula, cuja base são os eleitores mais pobres, contra Bolsonaro, cuja base concentra-se nos setores intermediários. Surpreendentemente, não houve a reeleição deste último, apesar da quantidade similar de votos obtidos em 2018. Quais os motivos dessa derrota? O Estado de São Paulo – maior colégio eleitoral do país – foi uma das regiões que abraçou com entusiasmo o projeto bolsonarista em 2018. Em 2022, entretanto, houve uma diminuição de 14% dos seus votos e uma vitória inédita do candidato petista na capital paulistana, o que não acontecia desde 2002. Isso indica recuo do bolsonarismo em uma das regiões de maior sustentação da extrema-direita. Esta pesquisa busca investigar as razões disso. A partir dos surveys do Datafolha de 2018 e 2022 e da bibliografia relativa às eleições de 2022, busca-se localizar mudanças do voto no Estado de São Paulo. A hipótese principal é que voto dos pobres no Estado explique o ocorrido. Analisando o survey da véspera da eleição de 2018, o Datafolha registra que todos os eleitores, independente de classe, eram mais favoráveis à Bolsonaro do que ao candidato petista no Estado de São Paulo. Em 2022, os mais pobres, contudo, se alinharam ao candidato petista, deixando o candidato do PL para trás. Além disso, a menor faixa de renda e a maior são as mais díspares quanto à escolha de candidatos, mostrando a importância da classe na eleição. Simultaneamente, e esta é a segunda hipótese, observamos que Bolsonaro diminuiu sua porcentagem em todo o eleitorado. Mesmo vencendo nas outras faixas de renda, sua margem é muito menor que na eleição anterior. Assim, apesar da vitória de Bolsonaro no Estado, vemos sua base eleitoral se dissolvendo entre uma eleição e outra. Os motivos para isto ainda estão sendo considerados, mas a revogação do Auxílio Emergencial, a má gestão da pandemia e a enorme recessão que veio dela podem ter causado muitos danos ao eleitorado. No interior, é possível que esses fatores não tenham sido tão sentidos, mas na capital, podem ter tido maior impacto. O motivo dessa diferença, no interior, pode ter sido a força de setores ligados ao agronegócio, que por terem sido beneficiados durante o governo Bolsonaro, pode ter criado, mesmo entre a classe trabalhadora ou média rural, o interesse pela sua manutenção no cargo. Na capital, a piora da situação econômica geral pode ter prevalecido para a oposição, por isso a vitória de Lula.
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