O que vem depois do ensino médio: estudos interseccionais para pensar políticas públicas educacionais

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 16 - Educação, Diversidades, Diferenças e Inclusão Social
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): JULIA RAMOS ARILHA
Coautores: Viviane Toraci Alonso de Andrade
Resumo
As transições juvenis no Brasil, especialmente no período posterior à conclusão do ensino médio, configuram-se como momento crítico marcado por desigualdades estruturais de classe, raça, gênero e território. Embora a escolarização básica tenha se expandido nas últimas décadas, persistem assimetrias no acesso ao ensino superior, na permanência estudantil e na inserção laboral. A produção acadêmica sobre essas trajetórias é vasta, porém dispersa, o que dificulta a identificação de tendências analíticas e lacunas estratégicas para políticas públicas. Vinculado à pesquisa “Trajetórias dos jovens pernambucanos: o que vem depois do Ensino Médio?”, realizada no âmbito da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco, e desenvolvido como subprojeto PIBIC/CNPq-Fundaj (2025–2026), este estudo realiza um mapeamento bibliográfico nacional de produções sobre trajetórias juvenis dos últimos 20 anos, enfatizando as produções mais recentes e interseções entre educação, trabalho e desigualdades sociais.
O objetivo central consiste em identificar, organizar e analisar produções científicas que abordam a passagem do ensino médio para o ensino superior, o mundo do trabalho ou outras formas de inserção juvenil. Como objetivos específicos, busca-se examinar como os estudos incorporam marcadores interseccionais e quais diagnósticos produzem para políticas educacionais. A pesquisa caracteriza-se como exploratória. Para operacionalizar essa investigação, os instrumentos de coleta estruturam-se por meio de procedimentos de natureza documental e digital. O primeiro instrumento consiste em uma planilha de mapeamento institucional, construída a partir de consultas diretas aos sites oficiais, repositórios acadêmicos e bases de dados institucionais. Nesse processo, também se incorporou o uso de ferramentas de inteligência artificial conversacional, especificamente a plataforma Perplexity AI, como instrumento complementar no mapeamento de observatórios e núcleos de pesquisa. A partir de descritores articulando juventude, educação e trabalho, foram identificadas mais de 200 artigos e fontes que foram validadas segundo critérios de aderência temática, atualidade e confiabilidade.
O material foi sistematizado em banco digital próprio no Google Drive e, posteriormente, a um site com catalogação de dados de acordo com seu ano de publicação e categorização temática. Este mapeamento revela tanto a consolidação de uma agenda crítica sobre desigualdades juvenis e suas demandas em relação à educação e trabalho quanto lacunas regionais e temáticas que limitam a incidência direta sobre políticas públicas. Ao sistematizar nacionalmente essas produções, o estudo busca contribuir para o campo de estudos e para a formulação de políticas públicas para as juventudes, oferecendo para os interessados um banco de dados organizado e de fácil consulta. Assim, o trabalho reafirma o papel das Ciências Sociais na articulação entre conhecimento científico e ação pública, em consonância com o debate sobre saberes em confluência.
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