Os dilemas da modernização brasileira ocupam lugar central na obra de Octavio Ianni. Suas reflexões sobre o tema se estruturam, com frequência, em torno da análise do processo de expansão da acumulação capitalista no país, com destaque para como nele se articulam e complementam as dimensões econômica e ideológica. Essa relação se evidencia, sobretudo, na forma como Ianni aborda a questão regional ou, em suas palavras, a “dialética nação-região”. Em textos dedicados a pensar sobre o Nordeste e a Amazônia, por exemplo, Ianni argumenta que a acumulação de capital nessas regiões – fundada em formas renovadas de superexploração do trabalho e da natureza – está articulada à criação e recriação de desigualdades por meio de discursos sobre os problemas regionais: de um lado, o Nordeste enquanto região problema, castigada por condições naturais adversas e abrigo de uma massa perigosa, que deve ser alvo recorrente de políticas emergenciais; de outro lado, a Amazônia como vazio demográfico e econômico, área de natureza virgem que deve ser integrada à nação. Esse trabalho irá explorar como Ianni supera o dualismo estrutural e constrói sua análise original da questão regional, na qual articula as dimensões econômica e ideológica. Identificaremos, também, suas principais referências e interlocutores, que remetem a alguns clássicos da Sociologia. Ao longo dessa reflexão, abordarei especialmente de que forma as noções de função e sistema se articulam – às vezes de forma explícita, outras implícita – em meio às análises do sociólogo sobre o tema. Nesse percurso, abordarei tanto trabalhos que discutem o Nordeste e a Amazônia quanto textos dedicados à teoria social. Através dos primeiros, será possível detalhar o modo como Ianni enxerga o problema regional. Já através dos segundos, poderemos refletir sobre o lugar que a explicação baseada na “causação funcional” ocupa em sua sociologia.
Referências
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