A ação da Atlas Network na difusão do ideário neoliberal no Brasil

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 10 - Neoliberalismo, Controle Social e Violências Institucionais
Atualizado em: 01/05/2026

Autoria
Autor(a): Rafael Schmitz Ribeiro da Silva
Resumo
A Atlas Network, é uma rede global de think tanks fundada em 1981 por Anthony Fisher, a qual busca difundir globalmente os preceitos da economia austríaca e do neoliberalismo. A rede foi fundada após Fisher ser aconselhado pelo economista austríaco Friedrich Hayek a agir de forma mais próxima aos intelectuais, uma vez que ele os via como agentes influentes na formação de consenso público e na elaboração de políticas econômicas. Em 1991, com a chegada do argentino Alejandro Chaufen à presidência da Atlas, a rede passa a se aproximar da América Latina, onde conta com mais de 95 institutos parceiros atualmente. No Brasil, a rede apoia diferentes think tanks como o Instituto Liberal, o Instituto Millenium, Students for Liberty Brasil, Instituto de Estudos Empresariais e outros. Além da defesa da liberdade de mercado e da desestatização da economia e serviços, estes think tanks adotam um discurso de defesa de uma “liberdade”, a qual estaria ameaçada pelas ações dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Durante a jornada de protestos que antecedeu a derrubada da presidente Dilma Roussef em 2016, os grupos ligados à Atlas no Brasil atuaram ativamente na campanha contra o PT. O caso mais notável é o do Movimento Brasil Livre (MBL), fundado por integrantes do Students for Liberty Brasil, se tornando um dos principais representantes da classe média antipetista. Somado a isso, o relatório anual da Atlas de 2019 faz elogios à Jair Bolsonaro, em especial à sua equipe econômica, chefiada por Paulo Guedes, um dos fundadores do Instituto Millenium.
Dessa forma, o objetivo do presente trabalho é apontar a ação da Atlas Network como importante agente de difusão do antipetismo que levou ao impeachment da presidente Dilma em 2016 e à ascensão do governo neofascista de Bolsonaro em 2018. Para isso, nos apoiaremos na teoria política de Nicos Poulantzas sobre o Estado capitalista, as frações de classe e o imperialismo. Se buscará explorar algumas das ações de divulgação do neoliberalismo e do antipetismo em meios como periódicos, colóquios e fóruns realizados pela Atlas e por institutos apoiados pela rede. Também será dada atenção especial à ação dos institutos liberais no ensino superior com vistas a formar os intelectuais aliados ao neoliberalismo, como foi o caso da equipe econômica de Bolsonaro, chefiada pelo economista Paulo Guedes, a qual apresenta diversos agentes ligados à think tanks neoliberais. A hipótese central do trabalho é a de que a Atlas, por meio da ação político-ideológica de difusão do neoliberalismo e da crítica aos governos petistas, representa o imperialismo norte americano, o qual adentra o Brasil com o apoio da fração burguesa aliada ao capital externo, fração esta que se torna hegemônica no interior do bloco no poder após o golpe de 2016.
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