Resumo
Este trabalho investiga a trajetória política de Manoel Bernardino (1882-1942), liderança camponesa maranhense conhecida como o "Lênin da Matta", para analisar a formação de um pensamento político subalterno durante a Primeira República. A pesquisa situa a atuação de Bernardino no contexto do Maranhão oligárquico, marcado pelo coronelismo e pela "Política dos Governadores", sistema que utilizava o controle da terra e a violência como bases de dominação. Argumenta-se que Bernardino articulou, de forma original, pautas de revoltas tradicionais com uma lógica política moderna e insurgente. A análise centra-se em sua biografia como expressão de seu pensamento. Após contato com ideias socialistas em centros urbanos, Bernardino fundou a comunidade da Mata do Nascimento, no interior do Maranhão, interpretada como uma experiência embrionária de fazenda coletiva e núcleo de organização política autônoma. Sua militância evoluiu de conflitos locais contra injustiças fiscais para um embate direto com o Estado, culminando nos "Fuzilamentos da Matta" (1921), episódio de repressão que o transformou em símbolo de resistência. Posteriormente, sua trajetória radicalizou-se com o alinhamento à Coluna Prestes. O estudo, ainda em andamento, demonstra que Bernardino elaborou um pensamento político distintivo, definindo seu socialismo como um "governo do povo pelo povo", fundindo o ideário revolucionário a uma ética comunitária e elementos místicos. Compreende-se que sua trajetória é fundamental ao pensamento social e político ao revelar como o socialismo foi interpretado e praticado na periferia do Brasil, constituindo uma forma de resistência que buscava superar a fragmentação dos grupos subalternos e criar autonomia para as classes rurais oprimidas.
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