Privilégios ou vulnerabilidades? A construção das masculinidades transmasculinas no contexto brasileiro

Evento: 14º Seminário Nacional de Sociologia e Política
Atividade/GT: GT 12 - Corpo, Gênero e Sexualidade
Atualizado em: 21/05/2026

Autoria
Autor(a): Zayin Pinheiro Fonseca
Resumo
O artigo analisa a construção das masculinidades transmasculinas no contexto brasileiro, problematizando a ideia de que pessoas transmasculinas, ao realizarem a transição de gênero, passariam a ocupar automaticamente posições de privilégio associadas às masculinidades cisgêneras. A partir de uma perspectiva feminista situada, fundamentada em Donna Haraway, e ancorada em referenciais pós-estruturalistas, queer e transfeministas, o texto articula contribuições teóricas de autoras e autores como Judith Butler, Paul B. Preciado, Jack Halberstam e Viviane Vergueiro Simakawa para examinar os processos históricos, sociais e subjetivos de constituição das transmasculinidades no Brasil. Inicialmente, contextualiza-se a emergência política das identidades transmasculinas no país, destacando o papel de organizações como a ABHT e o IBRAT na construção de pautas e na incidência em políticas públicas. Em seguida, discute-se a relação entre masculinidade hegemônica e transmasculinidades, evidenciando como estas ocupam posições de subordinação e são atravessadas por marcadores interseccionais como raça, classe, sexualidade e territorialidade. Com base em pesquisas empíricas recentes, argumenta-se que eventuais “vantagens” associadas à passabilidade não configuram privilégios estruturais, uma vez que são instáveis e condicionadas ao ocultamento da identidade de gênero, sendo constantemente tensionadas pela transfobia, pelo racismo e pela cisheteronormatividade. Conclui-se que as transmasculinidades não constituem variações das masculinidades cis, mas produzem rearranjos críticos e potencialmente transformadores nas hierarquias de gênero, ao tensionarem os fundamentos normativos da masculinidade hegemônica.
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