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Temer para quê? Novos ares [pesados] para o Brasil
(Fonte: pragmatismopolitica.com.br)

(Fonte: pragmatismopolitica.com.br)

 

[Texto de Eder Silva, em Politica e Sociedade]

Em seu primeiro discurso como presidente efetivo, o peemedebista disse esperar que sua equipe de governo consiga colocar o Brasil nos trilhos, para conseguir chegar ao fim do seu mandato, em 31 de dezembro de 2018, “com o aplauso do povo brasileiro”. Ele ressaltou que, passada a interinidade, o governo passa a ter uma nova posição.” (Fonte: Estadão)

Peço licença aos colunistas deste bem-aventurado Blog para escrever, depois de um longo tempo, em poucas e parcas palavras, sobre o possível contexto ao qual vejo o nosso país embarcar a partir deste momento.

Numa primeira indicação, percebo um certo ar de prosperidade, ao menos uma gotinha de esperança, em meio a crises de diversas naturezas. Chances de prosperidade não como uma saída dessa crise política que já dura mais de um ano, mas, principalmente pelo fato de que o descontentamento por parte de muitos cidadãos fez ressoar tanto no senado como também em todo o anterior processo de impeachment ao longo dos últimos meses. Sem contar as muitas razões manifestadas nas ruas ao longo deste segundo mandato da ex-presidente Dilma.

Não vejo, portanto, o Brasil com nova cara ou um novo esquema de governo. Isso soaria utopia e ingenuidade demais para poucas letras… Vejo como uma chance de se dar ao povo uma voz no meio deste deserto árido, escasso de esperanças… Vejo uma chance, mesmo que pequena, de se inverter o papel dos cidadãos, mesmo que diante de um cenário polêmico e contestável, conforme a voz de muitos defensores do antigo governo.

Acredito na democracia. Não como ela é praticada, mas pela ideia que ela passa, ou seja, com uma certa personificação de parceria do povo com seus governantes. E aqui é onde eu fundamento minha momentânea esperança: pois, se temos, de fato, poder para eleger governantes, por quê não também para tirá-los, destituindo-os quando não mais labutam em prol de nossas reais necessidades coletivas? Vejo neste processo de impeachment “um quê de novos ares” no cenário político internacional. O Brasil mostra a sua cara mais uma vez! E, desta vez, não com bandeiras ou discursos ideológicos, não com palavras eloquentes; mas com sua atitude, pressionando a câmara dos deputados e senado à retirarem do seu meio o que já devia ser retirado pelo próprio povo, nas eleições passadas. Nós, brasileiros, nos arrependemos de nossas incopetências, de nossas pseudo-ingenuidades, e nos lançamos em um caminho que poderão representar ameaça aos desmandos de uma classe de políticos que reinam avassaladoramente contra o povo desde o início de nosso republicanismo pautado nos mandonismos.

Dizem, por outro lado, que o anterior governo foi injustiçado. Que não foram os cidadãos nas ruas que o tirou de seu mandado, mas sim uma facção de corruptos. Pois digo: “quem tem sido mais injustiçado ainda é o povo!”. Este governo já nasceu fadado ao fracasso! Nasceu sem condição nenhuma para evitar essa nefasta crise que estourou no colo de Dilma. Nasceu quebrado; natimorto! Nasceu devido mais à ignorância do eleitorado do que a própria legalidade do processo eleitoral. Digo isto com pesar, porque vejo a falta de responsabilidade em dar ao cidadão um título de eleitor quando este nunca se deparou com seu papel junto às urnas. Isso não é uma verdadeira democracia, mas sim uma democracia doente, onde a doença se propaga à partir de um corpo que jaz na ignorância, na pobre ingenuidade do voto do cabresto. E não adianta aqui pensarmos que nos livramos deste sintoma (próprio de épocas passadas: coronelismo, mandonismo e clientelismo). Sentimos ele dentro mesmo deste sistema onde se consegue demasiadamente fácil um título de eleitor, sem a menor noção de conhecimento prático (ou teórico que seja), sobre democracia. Para se tirar uma carteira de motorista leva-se algum tempo, e algumas horas de estudo, prática de rua, custo, etc… Mas para se tirar um título de eleitor basta seguirmos a qualquer tribunal eleitoral e já o adquirimos. Para mim, isso é dar um tiro no escuro, sem saber se vai matar o inimigo ou o próprio irmão de farda!

Meus sinceros votos é de que venhamos nos conscientizar cada vez mais sobre nossa força, nossa liberdade em não somente colocar representantes para nos governar, mas também para tirá-los (seja quem ou qual partido for), quando não mais nos representarem. Que o nosso Brasil seja, a partir daqui, um país mais lúcido, menos confundido, menos ludibriado pelos falsos discursos. Que o peso da responsabilidade seja também sobre os ombros de nossos representantes e não somente sobre os nossos!

Para mim o que valeu positivamente nisso tudo foi a chance de readquirirmos a esperança que outrora já estava sendo ameaçada de extinção. Que o povo perca o medo de seus representantes! Que os papéis sejam invertidos: nós somos os patrões e eles (os políticos) nossos empregados. Se não trabalharem para nós, que sejam demitidos de suas poltronas. Que ninguém seja insubstituível, pois este é um dos verdadeiros pilares de uma democracia sadia e construtiva!

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP) e Teólogo (FCC). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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