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Cultura Política, Eder Silva

Queremos solução, não esmolas

…o gênio maligno presente em todos os sistemas – todos os sistemas chegam a um ponto de desenvolvimento e complexidade que acabam inviabilizando sua própria finalidade, voltando-se contra si mesmo. É o caso do sistema político que chegaria ao chamado “grau zero”, onde a finalidade social foi substituída pela simulação e sedução. É a “transparência do Mal”. (JEAN BAUDRILLARD)

Combustivel barato

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A semana começou a todo vapor. Muitos veículos circulando só no vapor do tanque de combustível! E terminou com a chegada do frio… frieza e apatia de muitos em relação aos sucessivos e abusivos aumentos do combustível ao longo do mês.

Afinal de contas, o sistema deve ser realimentado, tendo em vista os cortes de verbas ora destinadas ao financiamento eleitoral dos partidos. Medida esta que aguçou mais ainda a fome insaciável do sistema político vigente no país. A verdade é que esse Leviatã, quando ameaçado, transfigura-se num ser dotado de uma fome descomunal. Adota criativa ferocidade quando se sente limitado, principalmente nas suas necessidade fisiológicas (alimento). De uma forma ou de outra, retoma o que é seu: a submissão coercitiva àqueles que lhe legitimaram o poder de dominar. Essa espécie de Leviatã chama-se República! Mas com cara de “Patrimonialismo”.

Há alguns ativistas políticos que se propõe trazer luz à uma população que se coloca (voluntaria ou involuntariamente) inerte e insensível à economia do país. Como foi o caso do dono da Rede Havan, Luciano Hang, que neste sábado vendeu combustível com valor sem impostos nos postos da rede, de quatro cidades no estado de Santa Catarina. Luciano Hang insinuou uma candidatura, mas retrocedeu no mês passado, dizendo que se tornaria apenas ativista ao invés de candidato à presidência. O mesmo ocorreu com Luciano Huck meses antes.

O Brasil encontra-se “desgovernado”, à deriva, entregue às ondas de um clientelismo patrimonialista e onde as estatais e elite empresarial são os mais significativos patrocinadores dessa brincadeirinha de mal gosto denominado “eleições”. Para tal, são necessários alguns malabarismos de modo a arrancar dinheiro dos seus financiadores e, para isso, angariar recursos de modo a tapar esse rombo, a saber, aumentando o preço dos principais produtos. Assim, a engrenagem não pára! E o povo também não. Trabalhamos o dobro para ganhar o mesmo que ganhávamos há 3 anos. Tudo aumentou de maneira brusca. E não houve aumento significativo na renda. É um efeito desmoralizante e ao mesmo tempo preocupante. Sustentamos um modelo de sistema que não tem nenhum senso de humanidade… nenhuma sensibilidade para com os que tiram do próprio bolso os recursos que o alimenta. Pergunto: até que ponto isso tudo vale a pena? Alimentar uma imagem falsa de que somos um país livre, democrático? Será mesmo?

Como estudante das ciências políticas posso estar cometendo aqui nesse blog um ato herético. Mas tenho coração, tenho um espírito que não se aquieta e uma alma que se agita em busca de solução para essa nossa precariedade que não tem fim!

Deixo para nossa reflexão alguns fragmentos de uma outra publicação no blog “Crab Log: Um blog para todos e para ninguém“:

“a imoralidade, a simulação e a sedução se tornaram componentes determinantes da política, com o propósito de, assim como no sistema financeiro, evitar crises sistêmicas: evitar que a sociedade, afinal, descubra que a inércia dominou a Política, que o Poder perdeu seu poder de atração centrípeda e que ele é apenas mais um dos personagens que gravitam em torno das ondas concêntricas da mídia.” (…)

O sistema político necessita da dose diária dos escândalos das denúncias. Seja quem ocupar o espaço do Poder, terá que fazer parte dessa irônica estratégia de retroalimentação do sistema. Cientistas políticos, críticos e jornalistas parecem ainda partilhar da ilusão de um valor de uso, de uma transparência final das finalidades sociais da Política e do Poder. Mas, como membros que somos de toda a midiosfera (com verbas ou sem verbas publicitárias do Governo), fazemos parte desse irônico jogo de simulação e sedução.

Com esse enfoque, acredito que Jean Baudrillard expressava sua descrença com as propostas ou ideologias propagadas pelos sistemas, visto que, ao assumir uma posição, estes mesmos “inviabilizavam” sua própria finalidade ao assumirem algum poder simbólico. Seria o caso daquilo que chamamos de “esquerda” no nosso cenário político?

Ainda insisto que, nesse teatro de vampiros, o único sangue que é sugado é das gentes que são condicionadas como mercadoria, tratadas semelhantes a produto, diante de um cenário truculento e melindroso.

Naquela antiga polêmica entre Charles Wright-Mills (A Elite do Poder) e Robert A. Dahl (Poliarquia), tenho por certo que, ambos dividiram a compreensão do ambiente predominantemente mandonista que contamina as democracias contemporâneas. Não estavam contrapostos, mas complementavam-se mutuamente suas compreensões do cenários norte-americano da época. Sabemos que nos anos posteriores à publicação do livro Poliarquia, Dahl modificou um pouco sua compreensão e seu discurso em relação à forma com que os atores (elites) compunham o espaço político nos EUA.

Em se tratando de Brasil, arrisco-me sugerir que o “jogo do poder”, na verdade, é substituído pelas coalisões; avanços e retrocessos por parte dos atores envolvidos no processo decisório desse sistema desfavorável ao cidadão comum. E esses “atores” políticos são nada mais nada menos do que mandatários alocados na esfera econômica, política e carismática.

Caberá a nós escolher (se é que teremos alguma escolha) qual julgo vestir nesses tempos sombrios.

Que esses pretensos representantes nos deem soluções ao invés de esmolas!

Fontes:

Blog: Crab Log – Um blog para todos e para ninguém (Grau Zero da Política)

Livro: “A Luta Encantada ou A Flauta Final”, por Jean Baudrillard

Livro: “Partidos Comunistas: Paraísos Artificiais da Política”, por Jean Baudrillard

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP), Teólogo (FCC) e metido à blogueiro nas horas de angústia. Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

 

 

 

 

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