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Eder Silva, Política e Sociedade

Uma República Demonizada: A Dança dos Vampiros

Judge gavel and soundboard with national flag on it - Brazil(imagem retirada de https://www.jota.info)

A história é cíclica e está novamente se repetindo. O velho ardil comunista de revisionismo histórico já está sendo forjado. Dilma disse “ ‘Politização’ da Justiça e do MP é ‘volta atrás’ na história”. Não bastasse a demonização dos militares, agora a esquerda está demonizando o magnífico trabalho de Sérgio Moro e da Força-Tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato.

Os mais ricos advogados criminalistas do Brasil, que são advogados dos réus da Lava Jato, e diversos doutores professores universitários, que são marxistas e petistas, estão juntos neste firme propósito de criar uma argumentação jurídica e metajurídica para enquadrar o trabalho da “República de Curitiba” como um vilipêndio aos Direitos Humanos Fundamentais dos réus do Petrolão.

(retirado do texto de Rafael Henrique Pinto)

Em meio a tantas formas de demonização e discursos, tivemos uma semana muito agitada no cenário político tupiniquim.

A segunda feira se levanta retumbante com os meios de comunicação divulgando as últimas notícias. Eles são os maiores privilegiados nesse emaranhado de informações… Somos incrivelmente bombardeados pela mídia, que, incansavelmente busca, nos protagonistas do cenário, toda espécie fragmentos de informação.

Enquanto o judiciário se projeta no cenário político,  os camarotes do congresso nacional lança-se contra o judiciário. Ou seja, temos hoje um enredo de disputas, mas não exclusivamente no campo da política, como nas outras épocas eleitorais. O que se percebe é uma peça teatral, uma espécie de dança alternada entre os atores principais e coadjuvantes, onde ninguém quer protagonizar! Pensa-se numa corrida às avessas, ou seja, o que ganha é o que menos aparece. É o que está na retaguarda de tudo isso; o que dá o tapa e esconde a mão.

Mas, vamos aos fatos. Já no início da semana o Ministro Barroso, em sua palestra à coroa inglesa, sem papas na língua, acabou expondo nosso tapete cheio de farelo e pelos de cães… Mas esqueceu-se de fazer uma autoanálise. Pois ele também faz parte da engrenagem à qual tece suas críticas, a saber, “o fato de sermos viciados no Estado”. Chega a ser lamentável que um magistrado se faça de impostor neste jogo dos “revisionismos”. Agora, descaradamente sugere ocultos diagnósticos à crise política instalada no Brasil. Mas, quando solicitado por algum britânico a citar quais instituições deveriam ser privatizadas na sua opinião, recusou-se continuar a conversa. Como “um dono da bola”, tomou ela em suas mãos e finalizou o jogo antes da hora… Diplomaticamente retirou-se do jogo e não quis mais conversa.

Um prognóstico plausível, mesmo que com ares de utopia, seria o de que não somente a sociedade brasileira deixasse de ser viciada no Estado mas que também o Estado deixasse de alimentar seu vício frenético aos recursos que a sociedade brasileira lhe paga (tributos, taxas, sobretaxas, contribuições compulsórias e diversas formas de extorquir dinheiro do cidadão através de exigências regulamentais e etc…). Seria sóbrio deixar os cidadãos usufruírem, pelo menos uma vez,  os frutos oriundos de seu trabalho, de sua função social. Seria saudável que a sociedade caminhasse com as próprias pernas. Como dissera Thoreau no início de seu ensaio: “O melhor governo é aquele que menos governa (…) e quando estivermos preparados para isso, serei a favor de um governo que não governa“.

Passando pra outra margem do rio, enquanto isso, na sala da justiça, nossos heróis iniciam mais uma operação, a 51ª, destinada a inibir ou importunar a dança dos ávidos pelo poder. Parece que teremos mais um round bem disputado!

No cenário político houve alguns indícios de desistências para a candidatura à presidência, como por exemplo a do atual presidente Michel Temer e do ex-ministro Joaquim Barbosa. O que indica que teremos, possivelmente, mais coalizões por aí. Um certo tipo de voyeurismo politizante. Mas, sabemos que os vampiros não vivem ou almejam a fidelidade tão imaginária. Dependem do sangue, e não gastam muito tempo escolhendo qual (quais) pescoços serão violentados. Thomas Hobbes quem o diga! Mas peraí: o vampiro, a exemplo da sanguesuga, deve lá ter sua função social! Pode ser que Hobbes tenha plena razão em dizer que a dominação é, em certo sentido, um tipo de “mal necessário”, uma forma de refrear a massa ensanguentada e ensandecida. Seríamos, então, como o sândalo perfumador? Ou obedeceríamos a sina daquele outro chavão, o qual nos define como “um povo que tem o governo que merece”?

A felicidade será tão irreal e utópica? Sinceramente, não me arrisco vos dizer. Mas, diante desse teatro de vampiros, não sei se haverá matrimônio entre política e judiciário. Penso que seria o mesmo, no campo da teologia, imaginar o matrimônio entre Moisés (Lei) e Jesus (Graça). Será que tal matrimônio (digo em se tratando de Sociedade Brasileira), colaboraria para o progresso ou para o retrocesso de nossa Relespública escravocrata? Seria realmente saudável a independência entre os poderes? Teremos uma eleição no estilo “mais do mesmo”? Ou uma outra forma utópica de intervencionismo? (Dessa vez, o jurídico)?

Por último, o cenário petista mais se parece com “a dança dos vampiros”. Tentando por todos os lados, inclusive mirando em um tratado internacional de 1969 para forçar o STJ a deliberar a candidatura de seu mestre e guru. Acho muito difícil o STF acatar. Mas o que me admira é a elasticidade medíocre de um partido manchado retomar o poder, mesmo que seja através do “primitivo jeitinho brasileiro”, bem característico dos regimes totalitários ao longo da história da humanidade.

O que eu sei dizer é que os vampiros continuam dançando. Trate, pois, cada um de cuidar de seu pescoço!

Para não mais vos aborrecer, evitando que me vejam como alguém que escreve “sem saber porquê”, termino esse insight outsider exortando aos bons jornalistas para que não caiam nas falácias do zeitgeist totalitarista, cito Luís Eustáquio Soares:

Os messiânicos facilitadores, anticristos de todas as épocas, se repetem na cultura jornalística e televisiva, pois, como tais culturas facilitadoras, não aprofundam, não se arriscam, não se disponibilizam pro erro, pois partem do pressuposto de que os leitores e telespectadores são espíritos simples, leia-se burros, e devem ser alimentados com a ração insípida que os poderosos do mundo nos enfiam goela abaixo, a pretexto de estar nos ajudando“.

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP), Teólogo (FCC) e metido à blogueiro nas horas de angústia. Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

 

Fontes:

https://jus.com.br/artigos/47463/a-demonizacao-do-judiciario-e-do-ministerio-publico-no-caso-da-operacao-lava-jato

 

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Sobre Eder Silva

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Discussão

2 comentários sobre “Uma República Demonizada: A Dança dos Vampiros

  1. Belo e poético artigo

    Publicado por SILVIO O ALMEIDA | 11 de maio de 2018, 2:13 pm

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