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Cultura Política, Eder Silva

Bom dia senhores (as) ex-presidentes

Boneco Lula

(imagem retirada de https://www.nexojornal.com.br/expresso)

Hoje finda a sétima noite em que militantes petistas passam acampados ao lado de seu mentor Lula, preso desde a noite de sábado retrasado (07/04/2018) na PF localizada no bairro Santa Cândida, em Curitiba/PR.

Esta manhã acordei com um sonoro “bom dia presidente!”. Acredito que aproximava-se das 8 horas da manhã quando os batuques deram início às atividades dos militantes acampados, após uma breve pausa no período noturno.

Militâncias à parte, agora começo a solidificar minhas particulares percepções de que o lulismo é uma espécie de religião… Muitos amigos me falavam isso, mas eu fazia vistas grossas… Não sei muito bem definir esse fenômeno, na sua teorização sociológica em relação aos conceitos “durkheimianos”. Mas, em todo o caso, deixo para os colegas de blog publicar algo mais analítico do que meu pragmatismo cético, neste caso em específico.

Ora, acredito que muitos brasileiros encontram-se otimistas após a prisão decretada do ex-presidente. O que antes simbolizava uma figura mitológica do mandonismo precursor de uma das engrenagens clientelistas mais criminosas de nosso país, e que culminava em um estado de impunidade característico da nossa “demongracinha” pós regime militar; hoje temos uma chance para uma nova configuração, onde pode (e deva) simbolizar a ruptura iniciada por muitos políticos avarentos e gurus duma era caracterizada pelo chavão popular, aquele “jeitinho brasileiro” que reinou até bem pouco tempo.

Mas ainda não compactuo com os otimistas de plantão. Acredito ainda que há muito por se fazer, de modo buscar uma maior fragmentação no consciente coletivo, esse aspecto religioso politizante que eleva ao nível de “semideuses” a classe política brasileira. Acredito que os passos em que o MPF e alguns dos colegiados do STF tem trilhado levará muitos de nós refazer uma interpretação mais lúcida e menos idólatra dos atuais representantes dessa política bestial à qual sufocadamente sobrevivemos nesses dias confusos.

E aqui, não faço apologia aos futuros mandonistas de plantão: Dos conservadores com seus discursos oportunitas aos liberais com seus discursos falaciosos, imorais e relativistas, sem sentido… Mas o meu apelo é de que, se for para aprisionar toda a espécie de figuras mitológicas dessa política retrógrada, que se faça sem reservas. Afinal de contas, “onde entra um boi, entra uma boiada”. Que o Brasil seja um país de cara nova, mesmo que essa cara tenha aparência de “mau humor”, de antipatia ao legado anterior de “paraíso fiscal” ao qual ainda somos definidos lá fora! Como diria o Enéias: “Chega dos mesmos!”. E que isso venha para benefício dos muitos que querem ver um Brasil livre de um assistencialismo “irresponsável” e viciante!

Nesse ano eleitoral podemos caminhar para uma possível transição. Mas que ela não seja mais uma “transição traiçoeira” como aquelas entre Figueiredo e Tancredo, entre Sarney e o caçador de marajás, entre FHC e lulismo! Transições que beiraram o ridículo, que mais alienaram do que trouxeram esclarecimento na coletividade tupiniquim. Que essa transição destitua as muitas ratazanas que insistem ocupar oportunamente os lugares de impunidade no congresso, no senado, na câmara e etc… Que os nossos políticos sejam nossos “servidores públicos” e não o inverso. Que a Lava-Jato prossiga sua limpeza não somente no espírito de impunidade herdado do coronelismo colonialista, mas que a limpeza também aconteça na nossa consciência, para que não haja mais espaço para a construção de “semideuses” ou “gurus” dessa religiosidade politizante carnavalesca que a todo processo eleitoral se repete nas nossas ruas, nos palanques, na mídia mercantilista mercenária que profana nos lares nos horários mais nobres.

Depois do desabafo cínico dotado de uma acidez costumeira, rogo à Deus (ou ao diabo ou seja lá quem for) que nos próximos domingos eu não tenha que acordar tão cedo com essa fanfarra idiotizante quase na frente da minha casa. Haja paciência pra tanta idolatria!

“… deixem os mortos enterrar seus próprios mortos…”

 

Eder Silva é teólogo e blogueira nas horas vagas, e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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