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Carlos Evangelista, Cotidiano, Uncategorized

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O Natal vem chegando e muitas pessoas sonham com a data acreditando que bom será. Neste Natal quero discorrer sobre um Natal triste, muito triste.

Sabe-se que o Natal é tempo de festas, orações, abraços, bebidas, comilanças, viagens, confraternizações, recordações, reuniões, amigo secreto, presentes e muito mais. O Natal é além fim de ano. Mas é também tempo de expectativas e surpresas nem sempre boas.

Quando menino lembro que numa noite, véspera de Natal, durante a tradicional Missa do Galo, o padre rezava normalmente a missa com a igreja lotada naquela cidadezinha pacata do interior. Na hora da Santa Ceia, adentrou na igreja um homem, alto, forte, barbudo, de pele morena, olhava sistematicamente cada fileira, cada banco e ao encontrar o seu alvo dirigiu-se a pessoa; uma mulher de no máximo trinta anos de idade, pegou-a pelo braço, conduziu sua presa até o altar e impiedosamente desferiu vários golpes de facadas. A indefesa mulher caiu e morreu ali mesmo na frente do padre. Ninguém fez nada e o sujeito saiu da igreja lambendo a faca.

Eu ainda criança fiquei atônito diante da cena criminosa, apavorante e satânica. Caminhando na madrugada após a inesquecível Missa do Galo, consegui percorrer silenciosamente e assustado aqueles seis quilômetros até minha casa.

Sei que muitas coisas aconteceram durante os três dias que se sucederam até saber que o assassino morreu baleado pela polícia. Então vi e conheci a justiça do meu jeito. Soube por exemplo, que o hediondo crime foi causado por ciúme exacerbado de um homem desequilibrado emocionalmente.

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Ainda que sendo uma história muito triste, entendo que na atualidade, Natal triste é de familiares que perderam seus entes queridos. Dos idosos abandonados nos asilos. Das crianças, adolescentes e jovens abandonados nos orfanatos.  O Natal pode ser muito triste para os desempregados, pois não podem oferecer nada para a sua família, a não ser uma dose minguada de amor. Natal triste pode ser de jovens que por causa do desemprego interromperam estudos e sonhos. É triste o Natal das famílias que perderam suas casas, seus sonhos e sua honra. É muito triste o Natal das pessoas doentes, desenganadas pela evoluída medicina.  O Natal é igualmente triste para os presidiários, ou internos nos manicômios judiciários que, independentemente dos crimes cometidos vivem enjaulados e segregados numa oficializada máquina de destruição humana.

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Sentado aqui nesta cadeira invisível da minha existência, sou feliz do meu jeito, enxergando crianças brincando na natureza, avistando o mar, sinto o vento, o sol, a brisa e a alegria de viver no auge dos meus setenta anos de vida.

Então, superei aquela história do crime na igreja, com as muitas boas histórias vividas, ou simplesmente ouvidas. Desta forma, concluo que o grande segredo da vida é aprender, aprender e aprender sempre enquanto ainda sou parte integrante deste tempo circular.

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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  1. Pingback: NATAL: alegrias, tristezas e histórias | carlosevangelistajor - 26 de novembro de 2016

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