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EUA e RÚSSIA: “unidos” contra o terrorismo mundial

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Atentados, Fundamentalismo, Golfo Pérsico, Estado Islâmico, Terrorismo 

Rússia e Estados Unidos querem a qualquer sacrifico ou preço a conquista de uma base militar na Síria. Pretexto mais convincente é atacar as forças do Estado Islâmico ou os terroristas da Al-Qaeda. Com o aval do governo sírio, a Rússia, principal aliada do presidente sírio Bashar AL-Assad, vem bombardeando os opositores do governo sírio.

O conflito na Síria, que teve início em 2011, coloca em confronto forças leais a Assad e  organizações  fundamentalistas,  como  o “EI”,  bem  como  grupos  rebeldes “moderados” inspirados  na Primavera  árabe;  esses  últimos apoiados pelos Estados Unidos e  seus  aliados,  que  também tem bombardeado locais  controlados pelo  Estado  Islâmico.

Obviamente que o Pentágono tem criticado o apoio de Moscou  às  forças  de Assad e insiste que  a  solução  para o  confronto passa  pela  derrubada  do presidente que  foi  acusado de reprimir  brutalmente seus próprios  cidadãos.

Sabemos que teoricamente o uso da força no território de um terceiro país só é possível se vier por resolução do Conselho de Segurança da ONU ou por um pedido legítimo do governo do país.  Neste caso, a Rússia será o único país que atuará com uma base legítima na Síria, porque foi para lá depois de um pedido legítimo do presidente sírio, segundo informou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Por outro lado, o governo americano diz que está avaliando as operações, ainda que o Pentágono estime que as ações russas são “contraditórias” segundo explicou o secretário  da Defesa, Ashton Carter.

Certo é que no fogo cruzado é evidente a necessidade de coordenar ações no país árabe e evitar possíveis choques com a coalização liderada  por Washington,  foi  uma  das  razões pelas  quais  Putin se  reuniu com o presidente americano  Barack Obama,  em Nova  York,  no  início  de outubro.

Putin não perdeu tempo e aproveitou seu discurso na ONU para convocar os países para  formar  uma  ampla  coalização  internacional  contra o terrorismo representado pelo “Estado Islâmico”.

Todos sabem que o governo sírio tem muitos inimigos, muitos deles apoiados pelo Ocidente, como Israel, Turquia, Arábia Saudita e outros Estados do Golfo Pérsico como Jordânia, Líbano, mas tem aliados no Irã, Iraque e outros vizinhos.

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E convenhamos, qualquer bombardeio “errado” contra esses países seja via Mar Cáspio, Golfo Pérsico, Mar Vermelho ou Mar Mediterrâneo, poderá sim causar vários  outros problemas e  atentados  terroristas dentro  e  fora  da  região de conflito, podendo  fragilizar  ainda mais as relações  entre as potências russa e americana e  daí  tudo pode  acontecer, inclusive o início  de uma  Terceira Guerra Mundial; e  isto não  será nada bom  para o resto do mundo, incluindo  aí o Brasil.

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Estado Islâmico – Grupo terrorista

Em 29 de agosto de 2014, o grupo terrorista sunita Estado Islâmico – que já foi denominado também como Estado Islâmico no Iraque e na Síria (EIIS) e Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) – conhecido também pela sigla EI, anunciou que seu líder, Abu A-Bagdhadi, havia se autoproclamado califa da região situada ao noroeste do Iraque e em parte da região central da Síria.

O título de califa era dado aos antigos sucessores de Maomé, que possuíam autoridade política legitimada pela religião islâmica. O Estado Islâmico, desde então, vem sendo largamente abordado pela mídia ocidental, sobretudo por conta de suas ações extremas contra a população civil da Síria e do Iraque, como estupros, massacre de cristãos e de xiitas e, também, por conta da decapitação de dois jornalistas, entre os meses de agosto e setembro de 2014.

A história do grupo terrorista Estado Islâmico está relacionada com o processo de crise política que se desencadeou no Iraque após a guerra iniciada em 2003. Como sabemos, a Guerra do Iraque se deu dois anos após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, chefiados por membros da organização Al-Qaeda, então liderada por Osama Bin Laden. A Al-Qaeda possuía grande espaço de atuação no território iraquiano e em parte da Síria. O grupo Estado Islâmico nasceu como uma derivação da Al-Qaeda, fundamentado nos mesmos princípios desta organização, que remontam à ideologia pan-islâmica de Sayyid Qutb, antigo líder da Irmandade Muçulmana. Contudo, as ações do EI ficaram gradativamente mais radicais, até mesmo para os padrões da Al-Qaeda, o que provocou a separação entre as duas organizações terroristas.

Os objetivos do Estado Islâmico é expandir o seu califado por todo o Oriente Médio, que se pautaria pela Sharia, a Lei Islâmica interpretada a partir do Alcorão, e estabelecer conexões na Europa e outras regiões do mundo, com o propósito de realizar atentados que lhes possam conferir autoridade através do terror. A concepção de Jihad, ou Guerra Santa para o Islã, que o EI possui é a mesma de outras organizações terroristas, como a Al-Qaeda ou o Hamas: expandir o modelo teocrático radical islâmico de governo pelo mundo, por meio dos métodos terroristas.

É curiosa a grande adesão de simpatizantes não islâmicos e, frequentemente, de origem europeia às causas do EI. Muitos jovens do Ocidente se oferecem para integrar o grupo e servir ao seu propósito jhadista. Esse tipo de comportamento preocupa vários chefes de estado da Europa, sobretudo pela possibilidade de infiltração que tais jovens, treinados como terroristas, possam realizar em solo europeu.
O Estado Islâmico (EI) segue avançando em terras sírias e iraquianas

As principais cidades iraquianas que estão atualmente sob o domínio do EI são: Mossul, Tal Afar, Kirkuk e Tikrit. Um grande contingente populacional migrou dessas cidades para cidades ou vilas vizinhas, fugindo da expansão brutal do Estado Islâmico. Entretanto, não se sabe até quando estas cidades vizinhas continuarão livres da ação do “califado” islâmico do EI.

Em agosto de 2014, os Estados Unidos da América fizeram cerca de 120 ataques aéreos contra instalações do Estado Islâmico no Iraque. Os EUA também preveem ataque ao EI em solo sírio, formando mais uma frente, com o auxílio de combatentes iraquianos e do exército da Síria.

Fundamentalismo Islâmico

Do ponto de vista teológico, o fundamentalismo é uma manifestação religiosa onde os praticantes de uma determinada crença promovem a compreensão literal de sua literatura sagrada. Não se limitando à realidade do mundo oriental, o fundamentalismo religioso aparece entre alguns grupos cristãos que empreendem uma compreensão literal da Bíblia. Entre os muçulmanos, este tipo de manifestação apareceu somente no início do século XX.

A vertente política do fundamentalismo passou a se organizar entre os muçulmanos quando alguns estudiosos e líderes fabricaram uma visão de mundo calcada em ideologias contemporâneas e interpretações particulares do passado. Em suma, observamos que os líderes fundamentalistas do Islã reivindicam toda uma ordem de símbolos tradicionais na construção de políticas externas e formas de organização dos governos que fazem parte do mundo islâmico.

Contraindo a impressão de muitos, o movimento fundamentalista islâmico não possui o “horror ao Ocidente” e o “combate aos Estados Unidos” em sua gênese. A ação destes grupos aconteceu primordialmente na década de 1950, quando autoridades norte-americanas se mostravam visivelmente preocupadas com a ascensão de “populistas de esquerda” no Oriente Médio. Nessa época, os EUA temiam que algumas nações árabes integrassem o bloco socialista e, com isso, ameaçassem a indústria petrolífera.

Entre as décadas de 1950 e 1990, a associação entre os EUA e os grupos fundamentalistas esteve no epicentro de alguns fatos históricos. No governo do ditador Sukharno, mais de um milhão de comunistas indonésios foram assassinados pelos militantes do Sarakat-para-Islã. Em outras nações, como Síria e Egito, esse mesmo tipo de apoio logístico e militar foi empregado pelos norte-americanos para que os governos de esquerda perdessem seu respaldo.

O bom relacionamento com os fundamentalistas deu seus primeiros sinais de crise nos fins da década de 1970. No ano de 1979, os EUA forneceram armas e treinamento para que grupos afegãos lutassem contra os invasores soviéticos. Em contrapartida, naquele mesmo ano, os iranianos fundamentalistas derrubavam o governo apoiado pelos norte-americanos por meio da revolução. Nas décadas subsequentes, os Estados Unidos financiaram a chegada dos talibãs ao governo do Afeganistão.

Nesse momento, vários grupos fundamentalistas defendiam a tese de que os EUA promoviam as intervenções e alianças que se ajustassem melhor a seus interesses. Desse modo, a antiga aliança foi se transformando em uma relação de ódio em que os “terroristas” confrontavam o poder do “demoníaco império do Ocidente”. Em 2001, essa rivalidade chegou ao seu ápice quando os integrantes da organização Al-Qaeda organizaram o ataque às torres do World Trade Center.

Ao expor as relações entre a ascensão dos grupos radicais islâmicos e a política externa norte-americana, podemos notar que a questão religiosa tem função quase acessória. A ideia de que o islamismo em si fomenta essa situação de conflito renega todo um conjunto de situações construídas ao longo do século XX. Com toda certeza, o problema do terrorismo hoje enfrentado pelos EUA decorre de políticas e ações diplomáticas equivocadas.

Fontes:

http://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/estado-islamicogrupo-terrorista.htm

www.bbc.com

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio 

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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