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Cotidiano, Eder Silva

Carnaval chuvoso e frio, afinal: é disso que o diabo não gosta!

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(imagem retirada de: http://defenestrando.com/o-avassalador-nao-teme-o-tempo-frio/)

 

“…você pode ser o que você quiser” (Slogan do Boticário)

“sorria: você está sendo enganado!” (frase de para-choque de caminhão)

Imagino que essa não seja a cena favorita dos anfitriões desta festa profana: dia frio e chuvoso. Mas acredito que mesmo as intempéries não conseguiram afastar o espírito festivo dessa trip que, ano após ano, movimentam as ruas das cidades e a libido das almas.

Diante de um país à beira de um ataque de nervos, escândalos, tensões e mais tensões, novas e desagradáveis descobertas a toda hora, enfim, quando surge datas como esta, a exemplo de outras mais (copa do mundo, visita do papa, rock in rio, eleições, congressos envolvendo gurus da nova espiritualidade, entre outras apoteoses e simulacros humanitários), parece-me que o ser humano esquece de suas cólicas e náuseas. Antes, aderem ao efeito chupeta (que alivia seu mal estar momentaneamente, mas não trazem nenhum alimento para sua subsistência).

Não quero aqui tecer crítica a essas instituições míticas humanistas, porém, apenas ressaltar o débil e frágil argumento de que a humanidade evoluiu. Pergunto: para onde? ou em quê evoluiu?

Mas o que insinuo nesta minha reflexão, mesmo que com um tom quase farisaico e extremista (pois ultimamente estou aborrecido com o relativismo que está na moda), é o fato de que nestas datas, principalmente no que tange a este momento denominado carnaval (e aqui não vou entrar no conceito de carnaval); o que fica mais evidente é o processo aceleradamente decadente no qual o homem se expõe. O que presenciamos são atitudes no mínimo animalescas, como: exacerbada sensualidade, egolatria simbolizada pela competição de “fantasias” que, sutilmente, dispõe-se a desfocar a realidade social, entre outros sintomas que permanecem inalterados há muitos séculos, como: a exaltação da libertinagem, onde a libido jorra pelos poros; a carne gemendo por satisfação; embriagues, não somente causadas pela bebida, mas o descaso com as coisas sólidas que comporão os restantes dos dias do ano…

O que me consola é o fato de que nestes dias nos revelamos quem realmente somos: seres que só pensam no próprio umbigo, em necessidades fisiológicas… Quando passa este momento de insana apoteose, teimam retornar com suas calorosas hipocrisias e simulacros, frutos de uma sociedade do espetáculo. Que o anátema seja bem-vindo!

Assim somos, e assim procedemos caro Arturo Bandini…

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP) e teólogo (FCC). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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