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Carlos Evangelista, Violência e Cidadania

Brasil sem racismo: Salve Zumbi dos Palmares!

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No Dia 20 de novembro é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra. Dia de Zumbi dos Palmares. Um Dia de luta e de reflexão sobre a cor negra da pele que existe em nós. Um dia para refletir sobre um período demasiadamente longo, ¾ da história do Brasil, quando negros africanos eram vendidos aqui como mercadoria para o trabalho escravo. Uma dívida atroz que macula a história da humanidade e em especial a história do Brasil, que somente em 1850 proibiu o tráfico de escravos da África, mas que somente em 1888 é que a escravidão foi abolida, e que impiedosamente jogou  os negros  nas  favelas,  sendo  que uma  parte  expressiva ainda lá continua  até  os  dias  atuais.

É hora de enfrentar o racismo que, infelizmente ainda hoje dificulta e tira a vida de mulheres e homens em todo o país.

A data serve para um olhar profundo sobre as condições desiguais de desenvolvimento econômico e de condições básicas de vida dos afro-brasileiros, mas, sobretudo, a naturalização do sofrimento, da dor e da morte negra. A violência fica estampada no índice de homicídios que atinge em cheio a população negra.

O momento serve para a negritude reivindicar:

  • Cotas nas universidades e concursos públicos em todos os níveis.
  • Genocídio não. Chega de assassinato.
  • Implementação da Lei 10.639, a Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. Essa lei altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e tem o objetivo de promover uma educação que reconhece e valoriza a diversidade, comprometida com as origens do povo brasileiro.

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A escola é o lugar de construção, não só do conhecimento, mas também da identidade, de valores, de afetos, enfim, é onde o ser humano, sem deixar de ser o que é, se molda de acordo com sua sociedade. O Brasil, formado a partir das heranças culturais europeias, indígenas e africanas, não contempla, de maneira equilibrada, essas três contribuições no sistema educacional. Por isso, ter como meta a efetiva realização das prerrogativas dessa Lei é essencial para a construção de uma sociedade mais igualitária.

  • O negro e a reforma política. 50% da população brasileira é afro-brasileira.
  • Quilombos e moradia digna para a população negra, reivindicações antigas que remontam ao período da escravidão.
  • Religiões de matrizes africanas e as demais religiosidades, através do respeito e do sincretismo religioso.
  • Mulheres negras contra o machismo, sexismo e homofobia. Valorização da diversidade.
  • Racismo e cultura. Fomento à produção científica e literária.
  • Racismo e trabalho. Qualificação profissional e combate ao racismo e o preconceito nos ambientes de trabalho.
  • Racismo e saúde. Investimentos nos cuidados à saúde da população negra.

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Zumbi dos Palmares

“A cada novo 20 de novembro, Zumbi se espraia, amplia o seu território na consciência nacional, empurra para os subterrâneos da história seus algozes, que foram travestidos de heróis”

1600: Negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de açúcar de Pernambuco fundam na serra da Barriga o quilombo de Palmares; a população não para de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para os escravos, Palmares é a Terra da Promissão. – 1630: Os holandeses invadem o Nordeste brasileiro. – 1644: Tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares. – 1654: Os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro. – 1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares – 1662 (?): Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados e dado ao padre António Melo; será batizado com o nome de Francisco, irá ajudar à missa e estudar português e latim. – 1670: Zumbi foge, regressa a Palmares. – 1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. – 1678: Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares; ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. – 1680: Zumbi impera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas. – 1694: Apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir. – 1695, 20 de Novembro: Denunciado por um antigo companheiro, Zumbi é localizado, preso e degolado.

Fontes:

http://www.afroeducacao.com.br/lei-10-639-03

http://www.planalto.gov.br/seppir/20_novembro/apres.htm

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

 

 

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