//
você está lendo...
Cotidiano, Eder Silva

Afinal, em qual império vivemos hoje?

Por uns velhos vãos motivosSomos cegos e cativos. No deserto do universo sem amor, Taiguara.

Já faz tempo que venho relutando sobre minha descrença na evolução do homem. Há quem defina o futuro como “um eterno retorno”. Pego carona nesta definição acrescentando que o futuro pode ser “um constante retrocesso”, involução que nos acomete racional ou instintivamente. Não quero entrar nesses conceitos; os deixarei para o amigo blogueiro Vinicius Armiliato que, mais coerentemente poderá nos ajudar neste quesito.

Mas digamos que você indague: “Como você pode fundamentar esta sua suposição, cientificamente ou empiricamente?” E eu vos direi, no entanto: contra fatos, não há argumentos! Ou seja, basta inclinarmo-nos um pouco, rebuscando em nossa caixola, naquela massa cinzenta, acontecimentos passados que se aparentam com fenômenos sociais contemporâneos à esta geração, ambígua e confusa. Bem, não tenho um discurso teoricamente sociológico para tecer aqui um tratado ou uma tese, no formato e estilo acadêmico, para descrever a temporalidade dos fatos que me contaminam nesta crença (que o homem jamais evoluiu). Mas, como diz o Robertão, o carnívoro enrustido: “Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso”. Veja, até aí tudo bem, não há atritos… Mas quando repensamos nossas desgraças e nossas artimanhas, inclinadas a realimentar necessidades fisiológicas e, por quê não, desenfreados desejos egolátricos, percebemos o homem como um animal doente, contaminado pelo vício do poder, da dominação outrora perdida em algum momento e lugar longínquos, onde nossa imaginação ainda não possa chegar… Então nos sobrevêm um arrepio, um santo espanto! [essa conversa já ressoou em nossos cafés com blogagem – risos].

Caros leitores, como já dizia Cazuza, trago-lhes “boas novas, pois eu vi a cara da morte, e ela estava viva”. E ainda assim a morte vive, através de nossas cauterizadas consciências, de nossos corrompidos corações, ávidos e iludidos por uma vã e boba esperança de progresso. Provoco-vos a repensar, refletir o que realmente somos em uma sociedade decadente, rumo ao inevitável armageddon. Insisto que o homem só será renovado quando renovar a consciência e pensar sobre sua real condição, retomando um rumo contrário às suas presunções. Não fazendo-se de vítima, mas percebendo-se como o culpado de suas insanas ações.

Para amenizar um pouco essa minha acidez, e pra dizer que não falei das flores, sugiro que você, estimado leitor, dê uma olhadinha neste clipe do saudoso e visionário Taiguara – profeta do bom senso e da boa consciência. Parafraseando-o: “morto para este triste mundo antigo“.

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP) e teólogo (FCC). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Anúncios

Sobre Eder Silva

I'm a outsider

Discussão

3 comentários sobre “Afinal, em qual império vivemos hoje?

  1. Ótimo post Eder, parabéns. E, a música do saudoso Taiguara casou perfeitamente. Muita gente com certeza nunca ouviu falar dele, mais uma vítima da involução ou do eterno retorno: ao nada. Assim que vejo: essas são fases de “recuo de maré”, quando fica aquele silêncio absurdo, quando parece que o mundo ficou oco, vazio, parou, estagnou. Fase de selvagens. Acho que estamos numa fases dessas e que eu gostaria de ver passar, mas, está demorando muito… Abs.

    Publicado por Michele Viviane Vasconcelos | 9 de maio de 2014, 9:58 am
    • Olá Michele, meu muito obrigado pelas tuas reflexões. Acho que, realmente, a sociedade vive um tipo de crise de identidade, silenciada pelos donos da situação ou pela massa alienada e confundida com as belezas superficiais, deixando a essência num passado muito distante… Taiguara é uma dessas essencialidades, como Belchior, como Dylan, como poetas e profetas visionários de uma geração que, infelizmente, caminha à passos largos para “o nada”, sem voz, sem ouvidos, sem sentido… Mas há os outsiders, uma parcela indecifrável, mas que tem no espírito um quê de realidade; que não se contradiz nem nas palavras, tampouco nas atitudes! Não vive de superficialidades e banalidades, mas do néctar da vida. Não desanime, sempre há um remanescente, nunca o Criador deixou de dar respostas (mesmo no Seu Sábio Silêncio). O resto, são apenas frívolas conjecturas! Abs.

      Publicado por Eder Silva | 9 de maio de 2014, 1:12 pm
      • Sim Eder, ainda bem que somos todos Criadores, mesmo em nosso Sábio Silêncio. É por isso que resignação é a teoria que possui prática desastrosa. Vamos em frente, atentos e se possível, não resignados. Adorei se post e seu comentário. Abs

        Publicado por Michele Viviane Vasconcelos | 9 de maio de 2014, 2:13 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: