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Carlos Evangelista, Cultura Política

CAPITALISMO: Processo de Desenvolvimento

Capitalismo09
Se na atualidade a ordem do capitalismo é consumir, no passado até gente era vendida como mercadoria.
Sistema socioeconômico que se desenvolveu na Europa com a crise do feudalismo e se expandiu econômica e territorialmente pelo mundo partir do século XVI. Desde então vem se transformando: passou por diversas etapas marcadas por características diferentes no que tange às relações de produção e de trabalho, às tecnologias empregadas e às doutrinas que orientam seu funcionamento. É também chamado de economia de mercado.
O capitalismo apresentou grande dinamismo ao longo de sua história e foi se transformando á medida que os desafios á sua expansão foram surgindo.
Com o tempo, sobrepôs-se a outros sistemas de produção, até se
tornar hegemônico, o que é incontestável nos dias atuais.
A queda do Muro de Berlim (1989), e o fim da União Soviética
(1991) marcaram o colapso do socialismo; atualmente o capitalismo predomina em quase todos os países.
Na China, embora o Partido Comunista continue no poder e o Estado possua forte capacidade planejadora e muitas empresas, elas funcionam sob a lógica da economia de mercado. Em escala bem menor, ocorre o mesmo no Vietnã. Restaram como socialistas Cuba, Laos e Coreia do Norte, economias muito isoladas.
Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-se dividir
o capitalismo em quatro fases:
*comercial
*industrial
*financeiro
*monopolista e informacional.
Capitalismo Comercial: Mercantilismo
Doutrinas: Surgiu com os Estados nacionais absolutistas e vigorou durante o capitalismo comercial. Defendia a intervenção do Estado na economia e o protecionismo. Seus objetivos principais: fortalecer o Estado e aumentar a riqueza nacional via acúmulo de metais preciosos (ouro e prata) e obtenção de superávits comerciais. Para seus teóricos a riqueza vinha do comércio (circulação).
Thomas Mun (2)
Teóricos: Thomas Mun (1571-1641) Economista inglês, um dos principais teóricos da doutrina mercantilista.
Jean-Baptiste Colbert (1619-1683) Ministro das finanças de Luís XIV, responsável pela aplicação das políticas mercantilistas na França.
Potências: No início, Espanha e Portugal; depois, Inglaterra, Países Baixos e França.
Capitalismo Industrial: Liberalismo
Doutrinas: Criticava o absolutismo e o mercantilismo: defendia, no plano político, a democracia representativa, a independência dos três poderes e a liberdade do indivíduo; e no econômico, o direito à propriedade, a livre iniciativa e a concorrência. Era contra a intervenção do Estado na economia e favorável à livre ação das forças do mercado. Para seus teóricos a riqueza vinha da indústria (produção).
Adam Smith
Teóricos: Adam Smith (1723-1790) Economista escocês, um dos mais importantes teóricos do liberalismo clássico e um de seus fundadores.
David Ricardo (1772-1823) Economista inglês, tido como sucessor de Smith, deu importante contribuição à teoria econômica.
Potências: No início, Grã-Bretanha; depois, Estados Unidos, França, Alemanha e Japão.
Capitalismo Financeiro: Keynesianismo
Doutrinas: Criticava o pensamento econômico clássico e o princípio da “mão invisível”, do suposto equilíbrio espontâneo do mercado, por isso defendia a intervenção do Estado na economia para evitar crises de superprodução como foi a de 1929. Propunha o aumento dos gastos públicos como mecanismo para
estimular o crescimento econômico e a geração de empregos.
John Keynes
Teóricos: John M. Keynes (1883-1946) Economista inglês. O mais importante até meados do séc. XX; influenciou as políticas de recuperação da crise de 1929.
Joan Robinson (1903-1983) Economista inglesa seguiu as propostas keynesianas e aperfeiçoou algumas delas.
Potências: EUA emergem como potência, seguidos por Alemanha e Japão; Grã-Bretanha perde influência.
Capitalismo Informacional: Neoliberalismo
Doutrinas: Busca aplicar os princípios do liberalismo clássico ao capitalismo atual. Diversamente daqueles, os teóricos neoliberais não creem na regulação espontânea do sistema. Visando disciplinar a economia de mercado, aceitam uma intervenção mínima do Estado para assegurar a estabilidade monetária e a livre concorrência. Também defendem a abertura econômica/financeira e a privatização de estatais.
Alexander Rustow
Teóricos: Alexander Rüstow (1885-1963) Economista alemão, crítico do liberalismo clássico e criador do termo neoliberalismo (1938).
Milton Friedman (1912-2006) Norte-Americano, Nobel de economia (1976) e um dos continuadores das propostas neoliberais; assessorou os governos Reagan e Thatcher.
Potências: EUA se mantêm como principal potência, seguidos por Japão e maiores economias da União Europeia.
Durante a fase mercantilista do capitalismo a exploração econômica das colônias proporcionou grande acúmulo de capitais nos países europeus, principalmente a Inglaterra. Esse acúmulo inicial (primitivo) de capitais foi fundamental para a eclosão da
Revolução Industrial, que marcou o começo de uma nova fase do
capitalismo.
Durante o capitalismo comercial, período em que a produção de
mercadorias era essencialmente artesanal, a maior fonte de riquezas era o comércio. Tudo que pudesse ser vendido com muito lucro, como perfumes, sedas, tapetes, especiarias e até mesmo seres humanos (escravos), transformava-se em mercadoria nas mãos dos comerciantes europeus.
O Capitalismo industrial: Nas primeiras décadas do século
XVIII, o Reino Unido da Grã-Bretanha (formado em 1707 com a unificação entre a Inglaterra e a Escócia), comandou uma grande transformação no sistema de produção de mercadorias, na organização das cidades e do campo e nas condições de trabalho que caracterizaram a Revolução Industrial. Um de seus aspectos
mais importantes foi o aumento da capacidade de transformação da
natureza, por meio da utilização de máquinas hidráulicas e a vapor, com grande incremento no volume de mercadorias produzidas e consequente necessidade de ampliação do mercado consumidor em escala mundial. Esse período também foi marcado por uma crescente aceleração da circulação de pessoas e mercadorias, graças à expansão das redes de transporte terrestre e marítimo, com o trem e o barco a vapor.
O comércio não era mais a essência do sistema. Nessa nova fase, o lucro provinha principalmente da produção de mercadorias realizada por trabalhadores assalariados. Mas de que modo se lucrava com a produção em série de tecidos, máquinas, ferramentas e armas? Como os rápidos avanços nos transportes, com o surgimento dos trens e barcos a vapor, aumentavam os ganhos dos capitalistas?
No início era usado para retirar água das minas de carvão (mineração) e fabricar tecidos (indústria têxtil). Com o tempo, passou a ser utilizado em outras indústrias e nos transportes. Depois, foi substituído por motores a combustão interna (derivados de petróleo) e elétricos.
O trem a vapor foi o meio de transporte típico do capitalismo
industrial. A rápida expansão das ferrovias impulsionou seu
desenvolvimento.
Karl Marx
Foi Karl Marx (1818-1883), um dos mais influentes pensadores dos séculos XIX e XX, quem desvendou o mecanismo da exploração capitalista, definindo o conceito de mais-valia. A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que garantirá a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um
valor a mais do que recebe como salário. Essa quantidade de trabalho não pago permanece em poder dos proprietários das fábricas, lojas, fazendas, minas e outros empreendimentos. Dessa forma, em todo produto ou serviço está embutido esse valor, que é apropriado pelo dono desses meios de produção, permitindo o acúmulo de lucro pela burguesia (a classe dos capitalistas).
O regime assalariado é, portanto, a relação de trabalho mais adequada ao capitalismo e se disseminou à medida que o capital se acumulava em grande escala nas mãos dos donos dos meios de produção, provocando uma crescente necessidade de expansão dos mercados consumidores. Ao mesmo tempo o trabalhador assalariado, além de apresentar maior produtividade que o escravo, tem renda disponível para o consumo. Por isso a escravidão entrou em decadência e o trabalho assalariado passou a predominar.
O economista britânico Adam Smith. Em seu livro mais célebre, A riqueza das nações (1776), defendia o indivíduo contra o poder do Estado e acreditava que cada um, ao buscar seu próprio interesse econômico, contribuiria para o interesse coletivo de modo mais eficiente. Por isso era contrário à intervenção do Estado na economia e defendia a “mão invisível” do mercado.
No final do século XIX, mudanças importantes estavam acontecendo dentro das fábricas: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam rapidamente, devido a introdução de novas máquinas e fontes de energia mais eficientes, como o petróleo e a eletricidade; aprofundava-se a especialização do trabalhador em uma única etapa da produção, e crescia a fabricação em série. Era o início da Segunda Revolução Industrial, quando o capitalismo entrou em sua fase financeira e monopolista e marcada pela origem de muitas das atuais grandes corporações e pela expansão imperialista.
O Capitalismo financeiro
Uma das características mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista no final do século XIX foi a formação de grandes empresas industriais e comerciais, além do crescimento acelerado de bancos e outras empresas financeiras. A concorrência acirrada favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram na formação de monopólios ou oligopólios em muitos setores da economia. Daí fazendo surgir empresas como: British Petroleum, em 1909, Coca-Cola, em 1886, Exxon, em 1882, Fiat, em 1899, General Electric, em 1892, GM, IBM, Siemens e outras. Nesse período houve a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo e a criação dos primeiros laboratórios de pesquisa das atuais grandes corporações industriais. A siderurgia avançou significativamente, assim como a indústria mecânica, graças ao aperfeiçoamento da fabricação do aço. Na indústria química, com a descoberta de novos elementos e materiais, ampliaram-se as possibilidades para novos setores, como o petroquímico. A descoberta da eletricidade beneficiou as indústrias e a sociedade como um todo, pois proporcionou o aumento da produtividade e a melhora na qualidade de vida. O desenvolvimento do motor a combustão interna e a consequente utilização de combustíveis derivados de petróleo abriu novos horizontes para as indústrias automobilísticas e aeronáuticas, possibilitando sua expansão e a dinamização dos transportes. O avião Voisin Delagrange (1909) e o automóvel Ford T. (por volta de 1920). Os carros e aviões dessa época transmitiam às pessoas uma sensação de modernidade e liberdade. Hoje, só loucos teriam coragem de viajar num “troço” daqueles. Neste período os bancos assumiram um papel mais importante como financiadores da produção.
Em 1933, Franklin D. Roosevelt, então presidente dos Estados Unidos, pôs em prática um plano de combate à crise que se estendeu até 1939. Chamado New Deal (“novo plano” ou “novo acordo”), foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de construção de obras públicas e de estímulos à produção, visando reduzir o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana e, posteriormente, do restante do mundo.
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O Capitalismo informacional
Com o início da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-científica ou Revolução Informacional, o capitalismo atingiu seu período informacional, como propõe o sociólogo espanhol Manuel Castells. Essa nova etapa começou a se gestar no pós-Segunda Guerra, mas se desenvolveu, sobretudo a partir dos anos 1970 e 80, quando, gradativamente, disseminaram-se empresas, instituições e diversas tecnologias – robôs, computadores, satélites, aviões a jato, cabos de fibras ópticas, telefones digitais, internet etc. – responsáveis pelo crescente aumento da produtividade econômica e pela aceleração dos fluxos de capitais, mercadorias, informações e pessoas.
Fonte:
http://www.editorascipione.com.br
https://www.marxists.org/portugues/mandel/1981/mes/capitalismo.htm
https://www.youtube.com/watch?v=SvAV4JYNF4w

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “CAPITALISMO: Processo de Desenvolvimento

  1. Um belo passeio sobre as nuances entre os tipos de políticas econômicas que deram a tonalidade ao que temos hoje… Acho que dá pra se ter uma idéia legal do processo ao qual desencadeou o que podemos chamar de modernidade, uma ruptura no tempo, no espaço e no ser humano. Parabéns amigo Carlos. Um próximo tópico que te sugiro é uma continuidade do pensamento de Marx sobre a questão da “terra” e sua exploração induzindo acúmulo de riqueza, ou seja, até que ponto isso pode se traduzir em liberdade ou o retorno a uma nova escravidão (a exploração e ganho de capital abundante e desordenado através da terra)??? Abraços e até a próxima.

    Publicado por Eder Silva | 5 de abril de 2014, 9:50 am

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