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Cultura Política, Eder Silva

Brasil: justiça vesga e magrela nas margens do Ipiranga

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(foto retirada de JF Diorio/Estadão Conteúdo)

Já não me lembro mais qual a última vez que me atrevi a torcer pelo Brasil. Aliás, ironicamente é o que eu tenho feito nesses últimos meses: torcendo e me retorcendo de vergonha e indignação diante do desenrolar da carruagem de bandidos e covardes que se utilizam dos aparelhos estatais para se esconder de seus crimes!

Enquanto se descobre mais 715 planetas fora do sistema solar, aqui nas terras tupiniquins descobre-se mil maneiras para torcer e distorcer o pouco da justiça que vai a cada dia escoando pelos vãos do consciente coletivo. Treina-se a tropa de choque do Rio de Janeiro para reprimir e deprimir quaisquer fagulha de descontentamento por parte das massas infelizes (…) enquanto que a (in) justiça desconversa e mostra sua verdadeira face (com seu olhar vesgo), absolvendo os criminosos mensaleiros formadores de quadrilha. Cuidam para que eles tenham suas liberdades restauradas, mesmo que isso venha custar o pouco de orgulho que ainda nos resta… A mídia continua se encarregando de confundir a opinião pública, materializando a imbecil ingenuidade do brasileiro traduzida na falaciosa apoteose do carnaval, prometendo ao folião uma festa cujo desfecho termina em pizza, no país da feijoada!

Não se pensa mais no Brasil como sendo “o país do futuro”. Mas fica aí uma indagação: qual o futuro de um país que teima persistir num sistema ditatorial clientelista, o “famoso jeitinho brasileiro”, já conhecido no restante do planeta? Não seria melhor pensarmos sobre a possibilidade de habitarmos em um desses 715 planetas e realimentarmos a velha utopia em desbravar uma terra virgem, um solo incontaminado. Acreditar que o mal esteja no território e não em nosso próprio coração? Afinal, para que serve as ilusões, quando estas já não encontram mais lugar em nossa esperança? Ainda assim, o congresso ou o ministério do turismo se espanta e exige respeito quando a adidas lança lá fora uma linha nova de camisetas para a Copa 2014 contendo conotação sexual. Mas o que vemos em nossa programação de tv nos domingos, nos comerciais diários das emissoras de tv, enfim, na cultura funk (na boquinha da garrafa) que já está a tempos impregnada nas rodinhas de samba, etc… enfim, que diabos de hipocrisia é essa em exigirmos que nos respeitem, mas, por outro lado, o que mais dá ibope é justamente essa cultura fútil e vil? E isso tudo em nome da liberdade (ou da libertinagem)… Ahhh, que saudades dos tempos em que nossas crianças podiam assistir livremente quaisquer programação dos canais de tv, pois havia ainda um pingo de dignidade, mesmo que às custas da censura!

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Às vezes sinto falta das ideologias utopistas da década de 80, onde acreditava-se que podia, em algum momento, mudar a trajetória de nossa cultura, criar nossa própria identidade, nosso próprio tempo de dizer: “somos um”. Mas isso ficou na história de uma geração que viu seus sonhos se desfazerem no desprazer em perder sua ingenuidade, cuja virtude foi vítima de um caótico estupro promovido pelos tentáculos sórdidos e sujos de um Estado grosseiramente desonesto, prepotente e inescrupuloso!

O que me irrita não são as sujeiras esparramadas pelos pisos e corredores da nossa casa chamada Brasil, mas sim a teimosia hipócrita e grosseira de se tentar esconde-la por detrás das portas, achando que os visitantes nada enxergarão! Ainda teimo em dizer: Não precisamos de “justiça”, mas de vergonha na cara!

Somos vítimas das nossas próprias distorcidas esperanças, arraigadas em um solo já gasto pelas erosões da deselegante ganância cujo deus é o próprio umbigo…

Em meio a tanta embriaguez, só mesmo o Maradona pra torcer para o Brasil!

Eder Silva é iniciante nas ciências sociais, especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP) e teólogo (FCC). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

2 comentários sobre “Brasil: justiça vesga e magrela nas margens do Ipiranga

  1. Utopias nasceram pra não darem certo. quem disse que a esperança iria vencer o medo é a prova (nfelizmente) viva disso

    Publicado por marielfernandes | 1 de março de 2014, 4:05 pm
  2. Agradeço tuas certeiras palavras lúcidas Mariel. Realmente o que sobrou das esperanças utópicas dos 80’s foi justamente um “santo espanto” e um tremendo desencantamento…Valew e abraços.

    Publicado por Eder Silva | 1 de março de 2014, 10:29 pm

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