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Carlos Evangelista, Políticas Públicas

É POSSÍVEL VER COM AS MÃOS?

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Não só com as mãos, mas com o corpo inteiro é possível enxergar, comunicar-se com sentimentos, vibrações, sensações e doações. Partindo do princípio que os nossos desejos são mutantes é preciso termos sempre em mente de que necessitamos de um objeto ou de um sujeito para amar objetivando saciar as nossas vontades, ainda que uma vez experimentados perdemos não raramente o encanto. Exemplos disso são os bens materiais conquistados e logo depois substituídos ou descartados assim como é comum amar e casar-se com alguém e não muito tempo depois propor ou aceitar a separação. Assim é o homem.
Agora pensemos, se para uma pessoa que enxerga (vidente) é difícil entender, por exemplo, uma obra de arte num museu, imagina para uma pessoa cega acessar e interpretar esta mesma obra de arte nos museus do Brasil que ainda não possuem aparelhos áudio descritivo?
Foi pensando quebrar esses paradigmas que o Instituto de Cegos do Paraná (IPC) ao realizar este ano, o II Seminário do projeto Ver com as Mãos, com o tema Cultura, Acesso e Acessibilidade das Pessoas com Deficiência Visual, convidou como parceira a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com firme propósito de se ouvir representantes dos deficientes, juntamente com artistas, curadores e organizadores, quando da realização das exposições nos museus do Paraná, para que o evento seja acessível a todas as pessoas com esta deficiência, pondo fim ao que acontece na atualidade.
Participante do evento, Karina Muniz Viana, coordenadora do sistema estadual de museus do Paraná, disse que “infelizmente o poder público investe muito pouco em cultura e que os museus do Paraná estão viciados numa estrutura ultrapassada e que alternativa de modernização só será possível com parceria da iniciativa privada”.
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Ênio Rodrigues da Rosa (cego), administrador do ICP, fez um breve relato sobre a importância da invenção do sistema braile, por Louis Braille (1809-1852), e os avanços tecnológicos que muito vem favorecendo as pessoas cegas e de baixa visão, que pleiteiam seus direitos e necessidades de acesso à educação, à cultura e à informação. Ênio criticou severamente o modelo de cultura que vem sendo ofertado pelo governo do PT, onde somente a elite tem acesso à cultura de qualidade, enquanto os pobres devem se contentar com Michel Teló, Claudia Leite…disseminação do funk e similares.
Paulo Ricardo Ross (cego) professor da UFPR, disse que é preciso valorizar o que somos e o que temos para partilhar com amor e equilíbrio entre as pessoas com ou sem deficiência.
Choramingar com a deficiência e querer receber demais e dar pouco gera desequilíbrio e no futuro provoca dependência. Então é preciso aceitar a deficiência sem acomodação e buscar sempre educação, informação e cultura é fundamental para superação de qualquer deficiência. Afinal, somos todos imperfeitos.
Fonte:
http://www.novoipc.org.br
Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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