//
você está lendo...
Cultura Política, José Augusto Hartmann

Política

Há algum tempo não venho colaborando regularmente com o volume de publicações deste blog e isto deve se aprofundar. Outras atividades para as quais venho me dedicando tomam o tempo que seria necessário para o debate de ideias que se houvera proposto. Assim que gostaria de agradecer o afinco dos que criaram, mantiveram e colaboraram com este blog. Aqui pude apresentar algumas opiniões, debater alguns temas e compartilhar algumas poucas (infelizmente) leituras. Mas me parece satisfatório, porquanto, quero acreditar, sempre haverão oportunidades para o debate de ideias.

Contudo, neste espaço que ainda aproveito, gostaria de deixar um pouco de entusiasmo, em mim, gerado pela política. Apego-me ao título deste blog, Sociologia Política. Recordo que a política começou a ser formulada pelos gregos, que valorizavam o direito à palavra, ao debate em praça pública – posteriormente helenistas pensaram a representação –, talvez, como a principal atividade que um ser-humano poderia realizar. A política, então, como atividade daquele que vive na, da e para a pólis é o que faria dos homens animais sociais. Forjando-se dois espaços distintos – o público e o privado – passou-se a entender a necessidade de compartilhar a cidade e viver para além de satisfações privadas. Infelizmente, essa Antiga sociedade não pôde eliminar resquícios patriarcais que predominavam, e, assim, não souberam expandir o ideal político, mas apenas impor a civilização pelo império, pela dominação (física e metafísica).

Mas algo pior estava por vir, e o poder confundido à política fez que fossem confundidos os espaços público e privado. No Ocidente, essa velha criação, o clero e a aristocracia armada extinguiram o debate e buscou-se, a todo custo, impor o discurso da existência de mais aptos, mais justos, imaculados, protegidos, escolhidos, ou outra coisa. Passou-se a buscar justificativas metafísicas e formais para a dominação e o poder. Buscou-se criar um mundo encantado.

As frágeis democracias contemporâneas tiveram o objetivo de reconstruir o espaço público, dissociado do privado. De desconfundir poder e política. Muitos apontaram para o perigo dessa união – em que mecanismos de força são usados para dominar e impedir o pleno funcionamento da política. A autoridade, o Estado poderiam ser aparatos para manter a ordem e a dominação.

Por isso, todo cuidado é pouco quando se valoriza a autoridade e os discursos hierárquicos. Porém, nunca foi-nos dada a receita de como abranger a política para além de uma única pólis, para além de uma única ágora. Como impedir o predomínio do espaço privado que se deu e abranger a política a todos? Não creio que se faça isso sem debate, sem democracia, e, sobretudo, sem que se elimine a abissal desigualdade de capitais que existe na maioria das sociedades contemporâneas. Caso contrário, jamais estaremos preparados para ir além da mera luta por satisfações privadas.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL), historiador (UFPR), especialista em Sociologia Política (UFPR) e mestrando em Ciência Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Anúncios

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: