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Carlos Evangelista, Política e Sociedade

BRASILEIROS RUMO À DEMOCRACIA PARTICIPATIVA: “Brasil tem Instituições fracas e corrupção profunda”

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Ainda que os objetivos estejam difusos, vale destacar o exercício democrático, com milhares de brasileiros de todas as gerações, indo às ruas protestar por todos os quadrantes do Brasil.
A manifestação inusitada, sem bandeiras partidárias, iniciada em São Paulo no início de junho, contra a alta do preço dos ônibus, permite inúmeras reivindicações tais como: contra a corrupção e a impunidade, contra a PEC 37 (que pretende acabar com o poder de polícia do Ministério Público, que investiga e prende políticos , servidores públicos e empresários corruptos), a falta de médicos nos postos de saúde, falta de investimentos na educação, cabendo ainda muitas outras reivindicações por parte do povo brasileiro, até aqui considerado um povo pacífico. Pecha esta que parece estar chegando ao fim, diante de tantas discrepâncias neste País, onde o poder público (entende-se políticos e estrutura republicana), vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores, ministros e presidentes da repúblicas) roubam, tripudiam e ignoram o povo, prevalecendo do cheque em branco assinado pelo povo em cada eleição que depois do voto é simplesmente ignorado e desprezado, como se a voz do povo de nada valesse.
De posse do voto, o político eleito no atual modelo de democracia representativa, se acha no direito de mudar de partido, se aliar aos conluios políticos e maracutaias que dão sustentação a corrupção, aos mandos e desmandos.
Cansado de trabalhar exaustivamente e pagar uma pesada carga tributária para bancar as mordomias e privilégios de uma corja de políticos corruptos, aliada a carestia no custo de vida e a má qualidade na prestação de serviços públicos, o povo tupiniquim perdeu o medo e neste mês de junho foi às ruas por todos os quadrantes do Brasil.
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O protesto comandado e organizado pela internet exige mais retidão e transparência da coisa pública e mostra que o Brasil não pertence ao PT, PSDB, PMDB ou a outro qualquer partido. Ou seja, o recado é claro que Democracia significa participação do povo, até aqui ignorado, mas sedento para produzir um novo modelo de política.
Partindo desta nova interpretação de encorajamento e enfrentamento para com as velhas práticas e vícios do atual modelo democrático, fica evidente a busca pela Democracia Participativa no Brasil. Aliás, ao contrário de alguns países desenvolvidos, onde anualmente são realizados vários plebiscitos (modelo de democracia participativa), o povo brasileiro durante 191 de Independência política (1822-2013) foi convidado, pasmem, somente três vezes a participar de dois plebiscitos (1963 e 1993, opinando sobre a forma de governo, se presidencialista, liberalista ou monarquia) e um referendo em 2005, sobre armas. Vale lembrar que neste último, o povo brasileiro disse NÃO a proibição de compra e porte de armas, contrariando o governo Lula, partidos políticos, Igrejas Católica / Evangélicas e a “poderosa Rede Globo”.
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Talvez seja hora do povo brasileiro exercer de fato a democracia participativa, influenciando e decidindo nas tomadas de decisões na esfera política, mesmo que seja preciso punir em praça pública quem por ventura queira violar, subestimar ou proibir este direito democrático, fundamentado no poder que emana do povo para o próprio povo.
Obviamente que a liberdade plena proposta na democracia participativa gera excessos, violência e incompreensão até que o novo sistema democrático seja de fato implantado e exercitado na plenitude, sem com isto ser confundido com anarquia por parte da situação e contidos os ânimos dos radicais destruidores do patrimônio público.
Vale sintetizar a opinião do sociólogo francês Alain Touraine, sobre os protestos que vem ocorrendo no Brasil: “Esses protestos despertam o Brasil para a realidade. O mundo todo sabe que no Brasil as instituições são fracas e a corrupção é profunda. Que a situação econômica e social do Brasil exageradamente cor-de-rosa não condiz com a realidade de que tudo vai bem, com os inaceitáveis níveis de desigualdade na distribuição de renda”.
Protesto no Egito III
Então, o momento é propício para iniciar a implantação de um novo conceito de política, alicerçado na transparência, agilidade e melhoria na qualidade dos serviços públicos atualmente prestados a população e ética aos ocupantes de cargos públicos, sob risco do perigoso (gigante que desperta) julgamento dos filhos insatisfeitos, indignados e furiosos desta grande, bela e rica nação chamada Brasil. O poder do povo está apenas sendo despertado e protestos devem prosseguir.


http://www.conjur.com.br/…/ideias-milenio-alain-touraine-sociologo-frances‎
Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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