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Carlos Evangelista, Cotidiano, Estudos de Gênero

FUTEBOL: Como surgiu este fenômeno social no Brasil?

futebol
O futebol surge no Brasil no final do século XIX, quando Charles Miller retorna da Inglaterra, em 1894, trazendo consigo materiais próprios desse esporte: bolas, camisas, calções e chuteiras. É Charles Miller quem introduz o futebol no Brasil, inicialmente no estado de São Paulo, entre os jovens da elite paulistana. O elitismo é uma marca do nascimento do futebol no Brasil. Negros e mulatos eram excluídos dessa “nobre prática esportiva”, sendo esta um privilégio dos membros da elite. O futebol aparece como elemento da modernidade, “uma novidade moderna e elegante” sendo “um produto de importação”.
O período elitista do futebol brasileiro corresponde ao amadorismo. O futebol era símbolo de distinção social, um bem restrito à elite econômica e cultural. A fase amadora, geralmente datada de 1905 a 1933, caracteriza-se pelo elitismo na plateia e na composição dos times e pela ampla divulgação na imprensa. Nesta fase, o estilo de jogo era essencialmente ofensivo, tendo o ataque como meta principal, pois a beleza do jogo estava em primeiro lugar. Jogava-se o futebol puro, por simples prazer, um lazer, livre de interesses econômicos.
O cenário do futebol era o seguinte:
(…) Os rapazes de terno e gravata, as moças com chapéus e flores. Os jogadores eram sócios dos clubes e frequentavam suas festas e bailes. Os filhos jogavam, as filhas e os pais ficavam na tribuna: os ‘grandes’ clubes de futebol – o Botafogo, campeão de 1914 e 1915, o América, campeão de 1916, o Fluminense, tricampeão de 1917, 1918 e 1919 – eram uma segunda casa para essas boas famílias. Uma diferença social fazia-se sentir nos encontros entre ‘grandes’ e ‘pequenos’ clubes, mas era visto como normal o confronto entre clubes provenientes das diferentes fontes ‘inglesas’ de introdução do futebol.
O mundo moderno criou conhecimentos, normas, técnicas e discursos que são operadores e legitimadores do controle do corpo. Muitos desses conhecimentos encontram-se relacionados ao mundo do esporte. Este se configura como uma das esferas das sociedades contemporâneas mais importantes de organização da corporeidade.
O esporte é um dos mais fortes vetores que potencializa o domínio do corpo. As identidades sociais modernas se constroem em torno do corpo. Vivemos em uma sociedade esportivizada, no sentido de busca pelo aperfeiçoamento do corpo para diversas finalidades estéticas e competitivas. As academias são exemplos ilustrativos de busca de corpos saudáveis, fortes e belos. A teoria do treinamento desportivo pode assemelhar-se a outras técnicas e outros discursos sobre o corpo, tais como os cuidados com dieta e estética.
A cartilha do jogador-disciplinar assume um novo papel a partir dos anos 90, quando se estabelece uma fase punitiva no futebol brasileiro. Clubes importantes criaram modelos para disciplinar seus atletas, buscando construir um jogador adequado aos novos tempos do futebol moderno, competitivo, profissional e disciplinar. O São Paulo criou um código de conduta, o Flamengo prima pela disciplina, o Palmeiras é linha-dura, o Santos revela grandes craques. O Corinthians valoriza o grupo. O futebol-empresa fundamenta-se no modelo de empresa-militarizada. A busca pela disciplina parece ir ao encontro da profissionalização do futebol, em que um ascetismo profissional é cada vez mais reivindicado. Neste processo, não só o trabalho, mas a vida do atleta é gerida pelo clube.
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Dom, vocação, incentivo da família, disciplina, à parte, a seleção brasileira é sem dúvida principal motivação para o futebol. Entre os jogadores de futebol é permanente o desejo de integrar a seleção, além do valor simbólico que é representar a pátria através da seleção, está a possibilidade de valorização do passe e do salário. Jogar na seleção significa exposição no mercado futebolístico e, consequentemente, a ampliação do mercado de trabalho.
Exemplo disso são os anúncios constantes de transferências e vendas milionárias de jogadores ao mundo do futebol, dentro e fora do Brasil, principalmente dos clubes europeus. Recentemente o jogador Neymar, do Santos, superou todos os valores já conhecidos envolvendo a compra de um jogador brasileiro, sendo vendido ao Barcelona da Espanha, pela “bagatela” de R$155 milhões.
Neymar
É com uma Seleção Brasileira formada por jogadores de futebol ricos (economicamente) que os brasileiros apaixonados pelo futebol canarinho acompanharão a partir desta semana a Copa das Confederações (15 à 30 de junho) que está sendo realizada no Brasil, servindo de base estrutural para a Copa do Mundo de Futebol que será disputada também aqui no Brasil no mês de junho de 2014.
Não obstante, diante de tanta falação sobre a Copa do Mundo no Brasil, no ano que vem, envolvendo obras de infraestrutura pública, novos estádios, segurança pública, propagação do turismo brasileiro, rede hoteleira, etc, a quem diz que o futebol não é um esporte popular por causa do preço alto do ingresso para assistir a uma partida de futebol. Mas isto é lá outra história.

Fonte: Francisco Xavier Freire
‎http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_das_Confedera%C3%A7%C3%B5es_FIFA
http://www.museudofutebol.org.br/
http://www.copa2014.gov.br/
http://www.cbf.com.br/

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Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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